O refúgio de todas as cores…

O preto é o refúgio de todas as cores. As pessoas que “escondem-se” nessa escuridão procuram ocultar o que não pode ser descoberto.

Vagam em sua própria sombra, espreitando a luz como se tivessem medo de mostrar suas verdadeiras faces.



Desejos são trancafiados e soterrados sob ameaças imaginárias que só aumentam a vontade de se libertarem dessa pesada herança sentimental.

Os sentidos permanecem intensamente aguçados apesar da anemia emocional que dia após dia atrofia a beleza suprimida pela apatia enraizada nas profundezas do sentir.

Não é como o céu que durante a noite revela um espetáculo estelar. Um paradoxo perfeito porque durante o dia a luminosidade do sol não permite que seu outro lado seja revelado.


Viver em negação é como morar na rua em becos escuros repletos de lixos rodeados por ratos que buscam nesta cegueira voluntária se manterem vivos.

Manter-se na escuridão é muito perigoso pois estando fora da luz não se tem discernimento de que já vive na sombra.

A escuridão é tentadora, iludindo que o melhor que se tem a fazer é continuar com essa persona formada de receios e complexos transformando e minando o poder do ego a ponto de lhe fazer calar, vivendo em completo silêncio.


 Chegará um momento em que você não fará falta para ninguém nem mesmo para você porque o que lhe faz “ser humano” é ser capaz de dar sentido ao seu sentir. É participar ativamente da simbiose de emoções.

Černý, palavra em tcheco que significa preto e escuro, mas também ilícito, ilegal, macabro, grotesco, mórbido, doente. Significados que abrangem toda a esfera repleta de fel e aspereza desses seres sombrios que se alojam nos recônditos insalubres de suas essências.

A nuance macabra serve como uma indumentária intimidadora repelindo as pessoas de qualquer aproximação, pois para que haja manifestação é preciso existir contradição e esses seres enlutados por emoções vivas que reverberam por toda alma tentam permanecerem resolutos em suas escolhas não dando abertura para que energias opostas sejam trocadas. Não querem sentir e não desejam ser sentidos.

São zumbis perambulando sem destino. Não morreram, mas já estão mortos. Invejam a luz, mas carregam dentro si um sol particular.

Talvez um dia quando estiverem estirados ao léu e sentirem o calor sobre a pele, acharão que estão a sonhar com um poema o qual declamam de frente ao espelho, achando que ninguém os vê, enganam-se ao perceberem que os olhos que precisam assistir aquele reflexo repleto de luz aplaudem a belíssima arte que acabaram de presenciar.

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.