O SONHO CAFÉ COM LEITE

O que faz uma pessoa pular de paraquedas? Por que saltar de uma plataforma a dezenas de metros de altura? O que motiva alguém ir ao estádio de futebol? Qual é a graça de apostar em um cavalo?

Os números dizem que a probabilidade de uma pessoa ganhar na loteria é tão baixa que é mais provável que ela morra no caminho. E, ainda assim, semanalmente, milhões e milhões de pessoas apostam seu dinheiro na menor porcentagem possível. Por quê?

Qual é o segredo que envolve essas pessoas que vencem na vida vendendo canetas?

Há resposta para estas perguntas? Sim. Mas calma, tem muita coisa envolvida. Vamos dar um passo por vez. Foco.

Nós atingimos a segunda quinzena do segundo mês do ano e, assustadoramente, muitas pessoas já desistiram e ou nem se lembram de seus sonhos e planos feitos há 45 dias. A tecnologia está abraçando diversas áreas do mundo, e a robotização está escravizando algumas pessoas. Fim de ano: fazer planos. Fevereiro: curtir o carnaval, porque não está fácil para ninguém. Março: o tempo voa! Quando não há foco e persistência, os sonhos se diluem nos dias do calendário.

Semana passada eu estive no mercado e: pelos bigodes do coelho! Ovos de páscoa! Já?! Há uma enorme massa (pra não falar “sistema”) que segue seu fluxo de modo robótico. Segue. Simplesmente. Quando se trata de negócios: dinheiro, dinheiro, dinheiro! E é, felizmente para uns, e infelizmente para outros, o que move o mundo: dinheiro.  Mesmo para quem só busca um novo amor: dinheiro. Absurdo? Veja de novo: vaidade (roupas, cabelo, maquiagem), entretenimento (cinema, restaurante, motel), saúde (alimentos, preservativo, suplementos), agrados (flores, joias, presentes, mimos)… A não ser que vocês queiram viver pelados, descabelados e vivendo de agricultura e caça: D.I.N.H.E.I.R.O.

Tivemos uma nova perspectiva sobre este assunto, na última semana, e é com esta mesma ideia que vamos prosseguir com nosso raciocínio. Kesef.

Todos nós temos os nossos orgulhos. Alguns feridos, outros inflados, e há aqueles que são apenas moribundos, vivendo à base de tanto-faz. E, segure esta: orgulho é algo bom! Dominar o orgulho é andar metade do caminho para conquistar. O problema todo é quando o orgulho resolve guiar os nossos passos e caminha para onde quiser. Provavelmente, você pensou em uma pessoa orgulhosa, cheia de si, dona da verdade, etc., e está certo (de pensar neste perfil), mas há o outro lado do barbante que também é prejudicial: a falta de orgulho. Você já deve ter encontrado pessoas que estão passando necessidade, mas refutam até mesmo a sombra da ideia de pedir ajuda a alguém. Este é o orgulho-de-cima. Há, por outro lado, pessoas que aceitam qualquer esmola, qualquer uma! Cinco centavos já ajuda, moço. É o tipo de pessoa que se você força-la a carregar um saco de cimento nas costas e subir a ladeira, ao meio-dia, por uma mísera pedra de crack, ela vai subir. Este é o não-orgulho; é a dependência (de tudo e de todos), é a impotência, a fraqueza, o vazio. Um amigo meu, empresário, certa vez ofereceu emprego e abrigo a um morador de rua, e: eu quero dinheiro, não quero emprego.

É justamente o contraste, o equilíbrio destas duas posições que proporciona a Luz, é no paradoxo que a Fonte se manifesta. Uma pessoa cheia de si não pode mostrar beleza, assim como alguém que se despreza e nega a Força dentro de si não irá.

O dinheiro é algo tão banal que chega a impressionar como as pessoas se curvam diante dele. Se um banco falir, e todo o seu dinheiro for “invalidado”, e você, por um acaso, ficar com estas pilhas de dinheiro na sua casa… Não vai mudar nada. Aquele dinheiro não poderá ser usado porque foi invalidado. Ou seja, você é dono de milhões de reais e sua vida continua a mesma. E, ainda que valesse, se a regra for: pegue quanto dinheiro quiser, mas não use um centavo, o efeito seria o mesmo!

Não é o dinheiro que te traz felicidade, mas as coisas que você pode fazer com o dinheiro.

Se fosse possível perguntar para cada pessoa “quais são seus sonhos?”, é muito provável que as respostas se relacionariam com: amor, sucesso, paz, segurança, conforto… Note que nenhuma dessas coisas é algo que podemos medir, pesar, tocar ou colocar num cofre. O melhor da vida é invisível. O que mais queremos, no mundo, é invisível. Em busca deste invisível, nós usamos o visível.

Considerando que a pessoa tem o orgulho calibrado, isto é, ela não é nem moribunda e nem cheia de si, mas equilibrada, vamos oferecer a ela dinheiro infinito (válido). Vamos dar casa, vamos decorar e mobiliar exatamente do jeito que ela quer, no bairro que ela quer, vamos dar carros, vamos pagar todas as suas contas, vamos garantir o estudo de seus filhos até o mestrado, vamos abastecer sua geladeira e dispensa semanalmente; E, todas as suas apostas serão, invariavelmente, sorteadas e premiadas. Ela nunca mais vai ter uma dificuldade na vida. Do par-ou-ímpar ao cassino em Vegas, do truco ao futebol, ela nunca mais vai perder uma só partida. Será uma vida “““perfeita””” (muitas aspas aqui, por favor), com livre acesso às coisas tangíveis e intangíveis.
Você acredita que há verdadeira felicidade nela? Você gostaria de ter esta vida?

Hoje em dia as crianças brincam mais nos computadores e consoles do que na rua, então não sei se posso aplicar a ideia aqui. Mas, durante a minha infância, as brincadeiras eram feitas nas ruas, ao vivo, com pessoas, etc. E eu fui, durante muito tempo, o menor da turma, então eu era o chamado “café-com-leite”. Se alguém me encontrasse no esconde-esconde, tudo bem, não seria a minha vez de procurar, pois eu era café-com-leite; a mesma coisa no pega-pega: se eu fosse pego, não estaria comigo (a vez de pegar)… No começo aquilo até tinha alguma graça, eu poderia correr, eu poderia “arriscar” e, ainda assim, estaria imune. Mas depois de algumas vezes, a graça desvaneceu, tanto para mim, quanto para quem pegava. Estava na hora de brincar pra valer.

E é aqui que mora outro segredo: risco.

A adrenalina só correu em minhas veias quando havia o risco de eu ser pego. A adrenalina só corre quando há o risco de perder a partida, de perder o campeonato, de perder dinheiro, de perder a vida, de perder alguma coisa! Qual é a graça de pular de paraquedas? Adrenalina. Risco de perder a vida. Qual é a graça de apostar num cavalo? Adrenalina. Risco de perder dinheiro. Qual é a graça de viver?

Muitas pessoas estão sonhando o sonho café-com-leite: aquele sonho que não há risco, aquele sonho que não há o arriscar. Vou fazer planos só por fazer, está todo mundo fazendo! Vou sonhar só pra sentir um pouco a possibilidade de ter uma vida melhor. Só pra fugir da realidade e me animar um pouco, recarregar as energias… Sonhar só pra ser mais otimista. Mas então, o calendário corre e ela deixa os sonhos para trás.

Não viva este sonho! O sonho não é só pra te deixar mais “alegrinho”. O sonho é pra te fazer sentir adrenalina, e, pela vitória e pelo risco de perder, te fazer correr o dobro, o triplo! Te fazer dar o seu melhor, e conquistar, e sentir orgulho, satisfação, prazer!

E depois? O que faço? Compartilhe o prazer, a alegria, a energia, o entusiasmo. Sirva de motivação, de inspiração, de caridade. Sirva! A única coisa que nunca vai mudar e, por isso é a sua essência, é o prazer. Quer você faça sexo, viaje para Dubai, coma uma comida deliciosa ou fume um cigarro, o seu prazer será o mesmo. Prazer é sair de si, é sentir o outro e o mundo, é sentir a comida, é ser o cigarro, é ser o deserto, é ser tudo. Sentir prazer é sentir o Universo. E note como é diferente “sentir” de “usar”. Pare de usar as coisas, o dinheiro, as pessoas, os sonhos, Deus… Sinta. Sinta!

Pegue a caneta e o papel, anote os sonhos, e bom prazer!

Sonhar. Planejar. Agir. “Prazerar”. Compartilhar. Servir. Sentir.

#1 Foco

#2 Persistência

#3 Kesef

#4 Orgulho

#5 Invisível

#6 Risco

#7 Prazer

#8 Compartilhar

Gratidão



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