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O TEMPO DE SABER‐SE RIDÍCULO (E PARAR)!

Existe um tempo para tudo. Conforme avançamos, a vida indica aqueles abandonos que serão inevitáveis. É preciso estar atento a essa sabedoria ‐ essa que não habita o Eu que tem nome, história e endereço, mas que mora no todo ‐ assim como é importante não deixar de olhar as estrelas só porque não se é mais criança.


Com o passar dos anos, vamos ficando emburrecidos, carregando uma mala muito pesada de certezas. Isso não é inteligência, isso é teimosia, que leva a ignorância, e que nos levará sempre ao mesmo caminho. Hipertensão. Diabetes. Câncer.

Até os 20 anos, talvez um pouco mais, é ótimo que tenhamos construído uma boa autoestima, uma certa segurança no trato com o outro, um chão firme de ideias sobre nós mesmos e sobre o mundo.

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Sabiamente, a natureza, ciente de que nessa fase ainda há curiosidade em abundância e que não vamos nos fechar para o resto, permite que nos achemos importantes, especiais, ela sabe que isso não nos tornará tacanhos e tiranos.

Aos poucos, nós mesmos vamos percebendo que certas coisas que achávamos incríveis e revolucionárias não são isso tudo que pensávamos. Entramos em águas turvas, misturadas, onde sentimos que nosso jeito de conduzir a vida foi bom, mas que existiam outras mil ótimas maneiras de se fazer essa condução. Nessa hora de travessia, entra um fator que eu considero a gasolina da maturidade, que é o ridículo. Sim, ridículo mesmo.


É natural e necessário que nos sintamos ridículos em alguns momentos da vida e, mais importante ainda, é que reconheçamos isso. Aquelas pequenas manias feias, os pensamentos mesquinhos, as falas repetitivas que nossos amigos já até decoraram, mas que continuam ouvindo porque isso faz parte do pacote, o jeito de se vestir que não é mais tão admirado como na “nossa época”.

Ficamos acostumados com nossa vida, nossa voz, nosso penteado, nosso cheiro, nossa casa e, cada vez menos, temos vontade de entrar no mundo do outro. Aquela mania de dormir na casa dos amigos fica pra adolescência. Trocamos qualquer experiência que prometa ser incrível pelo nosso travesseiro.

Ok. Até certo ponto, isso é inevitável.

A menos que estejamos virando um disco arranhado (e ranheta). A menos que estejamos atrapalhando as novas gerações a lutarem pelo seu futuro. A menos que não tenhamos percebido o tanto de nós que é ridículo. A menos que não queiramos reconhecê‐lo. Em todos esses casos, é preciso parar (e calar).





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