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O tempo é um remédio que medicina nenhuma jamais conseguirá sintetizar em cápsulas químicas…

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Desculpe o transtorno, preciso falar do tempo…



Nem me lembro de quando nos conhecemos, mas ele sempre andou comigo. Passou rápido demais em alguns momentos e devagar demais em outros. Tudo isso para me ensinar a preciosidade intensa de cada eternidade.

Preciso falar de seus poderes. O tempo é um remédio que medicina nenhuma jamais conseguirá sintetizar em cápsulas químicas. O tempo é curativo de cada dor…ele trata lentamente (ou no tempo certo) das feridas mais sangrentas e forma aquela casquinha de fibrina. Depois, a casquinha vira cicatriz, que é a marca registrada do tempo. O tempo faz cicatriz no corpo e na alma. Umas a gente vê com os olhos, outras a gente sente com o coração!

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Certamente você anda sem tempo. Tem que trabalhar, eu sei. Tem que chegar em casa e cuidar das crianças, eu sei. Tem que responder e-mails, tem que estudar para a prova, tem que se preparar para o concurso, tem que finalizar o projeto que já é para amanhã. Tem que escrever o artigo, tem que construir a maquete, tem que ler relatórios, tem que analisar casos jurídicos.

Tem que pedir gás, arrumar a casa, fazer o almoço e pensar na janta. Tem que fazer compras no supermercado, colocar combustível no carro, fazer a matrícula das crianças na escola. Tem que ajudar a meninada na tarefa e tem que pagar as contas (e elas nunca entram em greve, eu sei!).

Mas pare para pensar: o tempo está passando. Seu tempo está impresso nesse tempo maior e abstrato também. Então, se você não tem tempo para mais nada além de tudo o que você tem que fazer, precisamos falar sobre isso.

Desculpe o transtorno, mas seu tempo pode estar acabando e você nem parou para pensar nessa finitude que você sabe que existe, mas finge ignorar. Não deu tempo de pensar, eu sei! Mas sabe o que é? O tempo é muito mais do que aquelas horas contadas no relógio. Isso é besteira, é invenção do homem para medir o imensurável. É essa mania nossa de controlar tudo, mas o tempo…ah, o tempo é incontrolável. O tempo é relativo àquilo que você está fazendo com ele.


Dê-se um tempo para mergulhar numa piscina na escuridão plena de noites enluaradas, para comer fruta sentado na calçada em plena terça-feira (e deixe o sumo escorrer pelo queixo, quem se importa?!). Dê-se um tempo para dançar na chuva, para cantar desafinado, para cozinhar sua própria pizza, para regar as plantas do jardim, para sair sem rumo com a companhia da bicicleta ou do cachorro. Dê-se um tempo para apreciar o céu azul, as flores cheirosas e as borboletas coloridas. Dê-se um tempo para escrever uma carta, para compor uma canção, para declamar um poema.

Encontre um tempo para ganhar tempo! Ele está passando e não se cansa de nos avisar. Esse tempo louco – que a gente não faz ideia de quanto é para cada um – espera por você. Ele dá uns sinais bem sutis: sempre se remenda, se reinventa, se encurta ou se estica para cuidar da gente. A gente que nem percebe porque falta tempo para perceber.

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O tempo muda e sopra aquele ventinho fresco na nossa nuca como que dizendo que dá tempo de começar tudo de novo. O tempo muda e aparece o sol dourado depois da tempestade, anunciando que chegou seu tempo de brilhar.


Então é isso! Desculpe tomar seu tempo, mas precisava dizer que, sim, ainda dá tempo! Vá no seu tempo que você (se) alcança!

Deixa a vida me levar?

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