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O vazio da existência. Porque você não é obrigado a preenchê-lo.

”Você não precisa preencher todos os vazios. Às vezes precisamos dos vazios para nos perceber. Ninguém consegue viver com as informações pulsando o tempo todo!”

Há poucos dias, conversando com um de meus pacientes, ele me fez o seguinte questionamento:


“Cheguei em casa e senti um grande vazio, como preenchê-lo?”

Pensei, pensei em todas as pessoas que preenchem seus vazios com comida, bebida, vícios, drogas e remédios.

Pensei naqueles que sofrem profundamente, com um aperto no peito e que passam por inúmeros diagnósticos em branco, por nada constar.


Pensei nas muitas vezes em que eu própria experimentei essa sensação e a angústia causada por ela.

Todos os dias, milhares de pessoas enchem os consultórios médicos e psiquiátricos reclamando sobre o vazio, o aperto no peito, “a dor na alma”, como muitos definem.

Receitas com tarjas pretas são vendidas aos montes e parecem não surtir efeitos, mesmo combinadas com atividades e exercícios físicos recomendados.


Mas será que isso tudo é recente?

Os antigos diziam: “morreu de desgosto”, “morreu de tristeza”, ao se referirem à depressão. Mas a depressão não mata. O que mata é a decisão de não querer seguir em frente, de desistir de lutar. E permitir que o corpo definhe.

É uma escolha, que só acontece se permitirmos.

O vazio é contraditório.  A pessoa pode ter tudo e sentir um grande nada dentro de si. Parece que sempre falta algo, que não se sabe o que é.

É ver com os próprios olhos uma vida abundante e achar que nada faz sentido.

É estar entre a multidão e se sentir sozinho.

Alguns chamam de stress, outros de depressão; eu acredito que o vazio é um pedido do corpo.

Um aviso de atenção para uma parada reflexiva.

O momento em que o corpo pede para apenas ouvi-lo, no seu silêncio.  Simplesmente respirar e ouvir.

E pensando na pergunta, do meu querido paciente, se havia uma resposta certa ou não, eu respondi:

”Você não precisa preencher todos os vazios. Às vezes precisamos dos vazios para nos perceber.

Ninguém consegue viver com as informações pulsando o tempo todo! Viver com uma agenda social lotada, ir todos os dias à academia, ter amigos para todas as horas, causa-nos um desgaste físico muito grande. O vazio é uma necessidade do organismo para uma parada.

É como um texto que, depois do ponto final, precisa de um espaço em branco para recomeçar a história.  Em algum momento precisamos parar é apenas ouvir o silêncio. Ele diz muito.”

Então, eu pedi que ele fosse para algum lugar tranquilo, com uma bela paisagem e permanecesse lá, em silêncio, esvaziando a mente, até o vazio ir embora. 

Aliás, eu segui meu próprio conselho e fiz o mesmo. Posso garantir a você que os resultados são positivos. O lugar do vazio foi preenchido sim, com paz interior. 

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Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: sergiophoto / 123RF Imagens





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