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O verdadeiro login na vida é quando a gente aprende a dizer “não sou um robô” para tudo que não faz mais sentido

Talvez seja o momento de dar um basta no que não agrada, de repensar, de ter liberdade, de se permitir conhecer.

Nunca paramos para reparar como o sol irradia, como é o amanhecer arisco. O relógio aponta, o despertador chama: entregando que o prazo é curto e temos que ter pressa. Pressa para não perder tempo, para chegar na hora, para não ir contra a urgência que nos habituamos a priorizar.



Nossas ruas são barulhentas, congestionadas, as buzinas aguçadas. Nós, sempre preocupados com o destino, com a próxima parada, distraindo-nos do caminho, desviando-nos da estrada.

Tempo é dinheiro, tempo é precioso, sempre o tempo: curto para viver, cruel para envelhecer, triste por se perder.

Temos acesso a tudo que é possível e o mais rápido que conseguimos, o corre-corre não permite pausas: para analisar, pesar, respirar.

Existe um espaço no Jardim Botânico no Rio de Janeiro, onde estão localizados seis bancos com encostos grafados com frases da escritora Clarice Lispector, no formato datilografado. Clarice gostava muito de ir ao Jardim Botânico para se inspirar. Esse recanto foi criado para homenagear a escritora que passava muitas horas de seus dias desfrutando das belezas do lugar. Uma das frases que está em um dos bancos do “Espaço Clarice Lispector” diz o seguinte:


“Lá a vida era verde, era larga. Eu não via ali nenhuma avareza: tudo se dava por inteiro ao vento, no ar, à vida, tudo se erguia em direção ao céu. E mais: dava também seu mistério.”

Talvez, como Clarice disse: seja preciso deixar, esquecer, morrer ainda que viva. Seja importante parar para sentir, permitir que os dias cheguem sorrateiros, que os momentos nos invadam aos golinhos, que a gente aprenda a dizer não para o fluxo turbulento do mundo, ficando para o encontro com a vida. “Estando”, mesmo que enigmática ela pareça. Para dar espaço ao que ninguém vê, ninguém fala, ninguém percebe.

Talvez a gente se perca procurando e se atropelando, jogando em time adversário, marcando falta. Valorizando o que tem fora e desconhecendo o que tem dentro.

Talvez seja o momento de dar um basta no que não agrada, de repensar, de ter liberdade, de se permitir conhecer. O verdadeiro login na vida é quando a gente aprende a dizer: “não sou um robô” para tudo que não faz mais sentido. É quando percebemos que tudo já é. E que correr demais nos afasta de nós mesmos.


É quando escolhemos o que somos como senha para logar um universo de onde nunca retornaremos. Que, embora inteiro, não tem hora marcada, nem começo e nem fim.

“Sentada ali num banco, a gente não faz nada: fica apenas sentada, deixando o mundo ser.” (Clarice Lispector)


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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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