ColunistasReflexãoVida

Omran e todos os garotinhos do mundo…

Omran e todos os garotinhos do mundo,



Cícero disse: “prefiro a paz mais injusta à mais justa das guerras”. Eu não ia escrever sobre isso, mas as coisas estão entaladas na minha garganta. Ficamos estarrecidos em frente às televisões assistindo imagens de uma guerra sem sentido. Mais de 11 milhões de pessoas tiveram que deixar suas casas com medo de perder filhos, pais, mães, braços e pernas.

São 200 mil pessoas mortas e as tropas de Bashar Al-Assad guerrilham contra mil grupos rebeldes, com aproximadamente 100 mil combatentes, muitos vinculados a Al-Qaeda. Temos também um grupo extremista que se denomina Estado Islâmico enfrentando todo mundo. Nesse pacote colocamos os Estados Unidos e seus aliados ocidentais, além de Irã, Turquia e nações do Golfo Pérsico.

OMRAM - FOTO 01


“Ah, mas morre mais gente no Brasil do que na guerra”, vão dizer alguns. Gente, não é para morrer gente em lugar algum, não desse jeito. O que a gente tem visto no mundo é gente matando gente por religião, território ou por um tênis. Algum desses motivos é justo? Não!

A imagem do menino que ficou ferido durante bombardeios à cidade de Aleppo chocou o mundo e se tornou símbolo da guerra. Símbolo da guerra? Gente, para tudo. Aquela foto é motivo de sobra para encerrar essa sangria desvairada. Aquela criança deveria estar sangrando no joelho ralado de tanto brincar no quintal de casa.

Aquele menino deveria estar sujo de leite, de chocolate, de macarrão. Aquela criança de apenas cinco anos deveria estar na escola aprendendo sobre como o mundo pode ser bom. Mas que mundo bom esse garoto conheceu? Que adulto ele será se ninguém o tirar dessa loucura toda, colocar ele no colo e pedir para que não desacredite no ser humano, pelo amor de Deus.


Omran é o nome dele e tem uma porção deles espalhados por lá (e por aqui). O pequeno símbolo da guerra perdeu o irmão na mesma explosão, o menino tinha só 10 anos. Nem mesmo o mais experiente fotógrafo de guerras, Mahmoud Rislan, suportou a imagem e foi às lágrimas com o que viu. E quem conseguiria ver aquilo sem sentir, no mínimo, uma tristeza sem fim?

É preciso compreender para onde o mundo está caminhando, em que pé estamos indo e quais os motivos que fazem o ódio vencer o amor. O amor deveria ser o remédio para todos os conflitos do mundo, desde o vizinho brigão até Bashar Al-Assad. Que isso sirva de impulso para que as guerras terminem, as daqui as de lá, as de qualquer lugar. Ninguém merece morrer de fome, ninguém merece morrer na guerra, nenhuma criança merece morrer de medo.

E para morrer de medo não é necessário morrer de fato, pois o medo mata com golpes de facão na alma. É a espera na cadeira elétrica que a qualquer momento vai fritar seus miolos, que cena mais desesperadora. Aquele menino vai ficar na história como tantos outros já ficaram.


A foto mais famosa do mundo é daquela garota nua correndo desesperada gritando “Muito quente! Muito quente!”, depois de sofrer ferimentos de explosivo, durante a Guerra do Vietnã. Isso já tem 44 anos e ainda estamos chorando por outras crianças em meio ao caos de lugares cheios de donos de uma terra de ninguém.

Essa coluna não tem a cor das outras, mas tem um significado importante: a reflexão sobre para onde estamos indo. Talvez você não possa fazer nada por eles, mas certamente pode fazer por quem está ao seu lado ou por quem passa por você na rua. Muito provavelmente aquele menino nunca cruzará nossos caminhos, mas tantos outros passam por nós todos os dias, entregues à própria sorte, sem eira nem beira, sem futuro, sem afeto.

omran


Aquele menino que vamos deixar para lá daqui algum tempo, vai crescer e talvez tenha a sorte de não fazer o mesmo que fizeram com ele. Talvez ele nunca se recupere ou talvez vire um homem do bem. Não sei como podemos terminar com a guerra no mundo, mas sei como conseguimos modificar o que acontece ao nosso redor. E se só o amor transforma, é amor que precisamos doar.

Olha para o lado, perceba seu parceiro, amigo, mãe ou pai, diga o quanto são especiais na sua vida, o quanto você é feliz em tê-los. Peça desculpas para quem você machucou, aceite as desculpas de quem o magoou, faça as pazes, perdoe, distribua afeto a quem quer que seja.

Doe amor,


Ah, por favor, abrace alguém hoje. Mas abrace tão forte tal qual você abraçaria aquele garotinho da foto.

O que realmente é a matrix?

Artigo Anterior

Porque é tão difícil conviver com uma mulher independente:

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.