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“Onde não há caridade não pode haver justiça”

“A caridade com justiça é como o bom samaritano que promete pouco e faz muito; e o assistencialismo é como os doutores que prometem muito e não fazem nada.”


O termo o “bom samaritano” surgiu no Novo Testamento, especificamente, no Evangelho de Lucas, onde Jesus orienta os seus seguidores a amarem o próximo como amam a si mesmos. Então, questionaram o mestre: quem era o “próximo”? Ele respondeu, dando como exemplo o comportamento de três homens que passaram por um viajante, que foi espancado:

Na estrada, de Jerusalém a Jericó, caminhavam dois sacerdotes judeus que viram uma vítima ferida por assaltantes e não lhe prestaram nenhum socorro. Entretanto, o terceiro que era um samaritano ajudou o viajante, e o levou a uma hospedaria para ser cuidado, e além disso, pagou todas as despesas.

A metáfora de Cristo conta história desse samaritano, que ficou conhecido como uma pessoa misericordiosa e caridosa, que se preocupa com o seu próximo. Naquela época os judeus desprezavam os samaritanos, porque eles tinham a sua própria religião e não se consideravam judeus, mas descendentes dos israelitas que habitavam a região de Samaria.


Jesus afirmou com amorosidade na sua parábola, que não foram os “doutores da lei” que ajudaram o próximo, mas um homem sem vínculos com a doutrina judaica, que mostrou um coração bondoso ao acudir um desconhecido que fora agredido brutalmente por ladrões e deixado para morrer.

Essa narrativa nos ensina que a misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pelo sofrimento ou pela miséria alheia, o que significa ter a capacidade de sentir àquilo que a outra pessoa sente.

Sendo assim, Jesus nos convida generosamente: a dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, assistir aos enfermos, vestir os presos e enterrar os mortos.

Entre outras palavras, a misericórdia e a compaixão, nos dias atuais, sãos as manifestações da solidariedade e da caridade em relação ao abandono e a dor de outrem, que é o desejo verdadeiro de minorar o sofrimento do próximo. Um exemplo disso foi às várias ações da nossa “Santa Dulce dos Pobres”, entre as quais a criação do  Hospital Santo Antônio na Bahia, que atende diariamente mais de cinco mil pacientes.


No entanto, os conceitos de solidariedade e de caridade são distorcidos por práticas assistencialistas, que são descontinuadas do ponto de vista estrutural. Aliás, não resolvem as disparidades sociais, perpetuando a mendicância dos mais pobres, que ficam incapacitados de estabelecer a sua cidadania, imergindo cada vez mais na inclusão social.

O assistencialismo com as suas doações temporárias de alimentos, roupas, medicamentos, serviços médicos, etc., voltadas às camadas sociais empobrecidas não lhes proporcionam a sua emancipação socioeconômica e educacional, uma vez que esses “ajutórios” apenas mantêm os desvalidos na mesma situação social e subjetiva.

Por outro lado, não temos dúvidas de que a emergência das ações solidárias é indispensável para minimizar a miséria, ainda mais quando são realizadas, com afetuosidade, na perspectiva samaritana. Parafraseando o texto Judaico: “A caridade com justiça é como o bom samaritano que promete pouco e faz muito; e o assistencialismo é como os doutores que prometem muito e não fazem nada.”

Portanto, o assistencialismo não permite que a cidadania se torne um direito, impedindo que os desamparados sejam protagonistas de sua própria vida. Enfim, o grande desafio dos governos e da sociedade é reduzir a desigualdade social, promovendo a inserção dos jovens e adultos excluídos no mercado de trabalho.

É como disse Santo Agostinho: “Onde não há caridade não pode haver justiça.”

 

Direitos autorais da imagem de capa: Suraphat Nuea/Pexels.





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