publicidade

Os atos falhos acontecem sem querer, querendo… Quais são os seus?

Para a psicanálise, o acesso ao inconsciente é sinuoso e pode ser inteligível por erros, lapsos e distrações. Por isso, os atos falhos são um recurso eficaz para acessar o nosso inconsciente.

O conceito de ato falho provém da expressão latina “lapsus linguae”, que se constitui em um erro na fala, na memória, na escrita ou numa ação, que são o múnus entre o inconsciente e o consciente.



Eles surgem em nossos erros corriqueiros. Mas estão no locus do discurso verbal ou dos desejos sexuais reprimidos, afetando até a nossa percepção, que se vê enredada pelas fixações do inconsciente. Em 1901, Freud publicou a obra A Psicopatologia da Vida Cotidiana, que tem no âmbito dos seus objetivos analisar como o inconsciente revela os erros e falhas cotidianas, que são classificados por:

  1. Atos falhos na linguagem: fala escrita, leitura;
  2. Atos falhos de esquecimento: falha na memória;
  3. Atos falhos no comportamento: cair, quebrar, derrubar, tropeçar, etc.

Os atos falhos não se constituem só de erros ou falhas sem significado, mas também de acertos na perspectiva do desejo inconsciente. É como disse Freud:

“Tais erros não são apenas erros, não são falhas sem significado. Se investigarmos o porquê de acontecerem, veremos que – por outro ponto de vista – o erro é um acerto”.


Linguagem: Um exemplo: o cônjuge que troca na sua fala o nome da esposa pelo da amante.  E a mulher que persiste em chamar o atual marido pelo nome do ex-companheiro.

Esquecimento: Outro exemplo simples é quando nos esquecemos de ligar para alguma pessoa. Porém, se formos investigar, notaremos que seria como se “o nosso eu” não desejasse ligar.

Comportamento: A célebre frase do personagem Chaves, que exprime: “Foi sem querer, querendo”.  Ele é um menino travesso na vila onde mora, que manifesta os seus atos falhos, sem querer (consciente), mas também querendo (inconscientemente).


Linguagem/esquecimento: Uma jovem perdeu seu cachorrinho de estimação. O cãozinho era traquina e a moça reclamava por ele ser dessa maneira. Transcorrem alguns dias, ela ganha outro filhote de alguém, que tenta confortá-la. No entanto, a garota chama sempre o novo pet pelo nome do antigo, porque ela deseja que seu bichinho esteja vivo.

É através dos atos falhos, que vamos vivenciar um conflito entre um traço mnêmico, ou seja, a forma de como os estímulos se inscrevem em nossa memória, depositados no inconsciente e consciente.  Então, os nossos atos falhos são causados por uma formação de compromisso entre dois significantes, um do lado do desejo e o outro do lado da repressão.

Portanto, os atos falhos acontecem sem querer, querendo, como repete Chaves. E quais são os seus? No momento que conseguimos identificá-los podemos entender as questões que ficaram mal resolvidas dentro de nós, que tentamos encobrir de alguma forma.

Afinal, é preciso dar atenção aos atos falhos, pois deles virão os ajustes e os acertos necessários.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / lightfieldstudios

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.