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Os homens gostam de viver os relacionamentos, e odeiam falar sobre eles!

Acredito que as leitoras destas minhas palavras são, em sua maioria, mulheres.



A primeira coisa que quero lhes contar é que eu ouvi um homem antes de escrever este artigo. Não um homem que faça o estilo “franco atirador”. Que goste de conquistar mulheres de forma desordenada e que tenha pouca experiência com relacionamentos. Os homens “chamados” galinhas são muito inexperientes nos relacionamentos interpessoais. Eles costumam fugir dos vínculos e me parecem manter certo vício na conquista para satisfazer e/ou alimentar seus egos famintos, carentes e facilmente infláveis. Estes são homens superficiais demais para contribuir para um artigo no qual vou tentar me despir da minha condição de mulher romântica que sou. Eu ouvi um homem destes que vale a pena, que tem caráter, que já se apaixonou e amou uma mulher.

Dentre todas as mulheres que me procuraram no consultório nesta minha trajetória profissional, a grande maioria delas relatava problemas nos relacionamentos. Havia sempre algumas dificuldades em se relacionar ou dor decorrente de rejeição. Relacionamentos terminam e então vem o vazio, a dor e a pergunta clássica: Por que ele me deixou? Por que deu errado de novo? Se a palavra “de novo” estiver no final da frase, parece que uma profecia auto realizadora comumente chamada de “má sorte para o amor”, “curva de rio”, “dedo podre para homem” foi jogada sobre aquela mulher que vai procurar a terapia não para se conhecer, mas para conseguir encontrar um companheiro, namorado, marido, etc.

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Dez entre dez mulheres que assistiram ao filme Como Perder Um Homem em Dez Dias se identificaram com o escrachado comportamento daquela moça que tentava terminar o relacionamento agindo como nós mulheres costumamos agir quando queremos exatamente o contrário. Muitas solteiras afirmavam que, depois daquele filme, elas haviam finalmente aprendido como agir, mas depois de vinte e quatro horas voltavam a estragar as partidas de poker (ou de futebol), a criar todos os tipos de expectativas – muito bem ilustradas no filme com a cena do álbum de fotografias e da planta do amor.

O choramingo da personagem, as mudanças bruscas de humor, as pequenas chantagens e, principalmente a forma melosa como ela tratou a relação sexual deles é trágica, cômica e o pior, muito comum. Temos esta necessidade de criar histórias de amor, estabelecer pequenos símbolos de vínculo, seja em plantas, bichos ou presentinhos de estimação que elegemos como mascotes da relação. Homens devem detestar isso, todavia, devem detestar muito mais se uma de nós cometermos o maior de todos os pecados: dar um apelido “fofo” ao falo deles. Apelidar romanticamente o pênis de um homem pode ser um pecado mortal. Sexo não é momento para romantismo, e talvez nós mulheres ainda confundamos isso porque fomos obrigadas a nos reprimir sexualmente.

Penso que a estrada do romantismo talvez tenha sido uma alternativa para escapar da repressão. Como cantou muito bem Rita Lee: “o amor nos torna patéticos, sexo é uma selva de epilépticos”. A música foi escrita baseada nas palavras de um homem chamado Arnaldo Jabor, então vale lembrar que ali tem muito de como eles pensam e agem.

As relações entre homens e mulheres, muitas vezes perfeitas na cama, parecem encontrar muitos obstáculos fora dela e muita gente já se meteu a escrever sobre isso porque já percebeu que precisamos ter clara a existência do amor como algo subjetivo e do sexo como manifesto físico. Se o amor se tornar patético, é provável que os dois parceiros percam a vontade de fazer sexo. Amor sem sexo é o que? Amizade.


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Homens não gostam de falar sobre a relação, nem muito menos de discuti-la porque isso é simplesmente conceitual. Eles não querem ficar dizendo que nos amam e nem ficar discutindo, fazendo planos ou avaliando o que pode ser melhorado – até porque, até eu, ao escrever sobre isso estou achando todas nós “um porre”.

É, somos um porre sim, mas é bem provável que sejamos encantadoras a ponto de valer a pena e se caminharmos buscando uma relação com mais aqui e agora, mais viver e menos planejar, pode ser que as coisas melhorem. O amor é uma consequência – inevitável – muitas vezes e não uma causa. No filme o amor chegou para os personagens só depois que os dois deixaram para lá seus planos – que no caso deles era uma aposta – mas que na vida real das mulheres é um compromisso que implique em prioridade absoluta. Muitas mulheres se aproximam dos homens não para se relacionarem, mas sim para casarem-se.

Mais do que casamento, namoro ou qualquer outro nome que se dê às relações, as mulheres muitas vezes erram buscando prioridade e preenchimento de um vazio interior que só se resolve na terapia. Quando os personagens do filme se mostraram um para o outro, quando se despiram – e isso é lindamente visto quando ela aparece com os cabelos que foram secos ao vento – foi que conseguiram se aproximar e se relacionaram como duas pessoas inteiras dispostas a estarem juntas naquele momento. E dos momentos são feitas a nossa vida. Só deles, dos que valem a pena. Muitas relações existem há décadas, feitas de um hoje, e outro hoje, e outro, sem que não se precise sequer falar nada sobre o assunto. Elas existem, é só vivê-las.


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