Reflexão

Içami Tiba: “Pais de hoje acabaram com a meritocracia. O filho não precisa lutar por nada”

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Os pais de hoje acabaram com a meritocracia. capa

O psicólogo refletiu sobre as questões de se criar uma criança atualmente.

Educar uma criança não é tarefa fácil. As pessoas precisam ter uma forte noção sobre as responsabilidades que envolvem criar um novo indivíduo desde sempre, para que pais, mães e cuidadores não se encontrem em uma posição em que complicada, quando a realidade da parentalidade não for a mesma coisa que a sua expectativa, mostrada para nós em quadros de famílias perfeitas, onde não existem conflitos.

A verdade é que muitas das dificuldades na criação são exacerbadas pelas cobranças externas. Não bastassem os desafios inevitáveis que existem para se criar um filho de forma íntegra e saudável, pais são sempre cobrados pelas posturas que tomam – e as que não tomam – em sua criação.

Não, não existe receita fácil de “como ser um bom pai ou uma boa mãe” e deveríamos todos desconfiar das pessoas que nos vendem soluções simples em algo tão complexo quanto educar alguém. Nenhum pai ou mãe alcançará a perfeição, mas é importante que tenham o bem estar do filho ou filha sempre em mente na hora de fazer suas escolhas.

É preciso ter um pouco mais de flexibilidade na criação, mas também com equilíbrio. Não podemos deixar de lado um extremo e partirmos para outro: ao invés de sermos pais extremamente rígidos, nos tornamos completamente permissivos, sem propor os desafios que os filhos precisam passar para se tornarem adultos funcionais. Sim, a vida já é dura como é, mas é melhor que estas questões sejam apresentadas dentro de casa, para que o filho ou filha tenha um lugar seguro para se testar.

O psicólogo Içami Tiba refletiu sobre a criação de alguns pais atualmente. De acordo com a fala deste estudioso ao Correio Braziliense, os pais de hoje teriam “acabado com a meritocracia”, fazendo com que seus filhos não precisassem se esforçar para nada.

Içai falou sobre como estes pais mais amenos podem ser o resultado da própria criação que tiveram, pois antigamente os pais eram mais rígidos. O psicólogo observou que os pais de hoje não gostariam que seus filhos passassem pelo mesmo que eles, por isso escolheram uma abordagem menos agressiva. O psicólogo, no entanto, questiona se não foi justamente esta e outras dificuldade que não fez estes pais e cuidadores conseguirem chegar onde estavam. A geração dos pais aprendeu que é no esforço que conseguimos sair do lugar, mas se eles não oferecerem isso aos próprios filhos, então essa nova geração não saberá como fazer o mesmo.

Içami acredita que os pais da atualidade acabaram com a meritocracia a partir do momento em que decidiram que dariam tudo para eles, sem lhes mostrar o poder do esforço. Seus filhos não precisam se preocupar com nada e quando isso aborrece os pais, que tentam uma abordagem parecida com a que foi aplicada neles por seus pais, a mudança de atitude simplesmente não surte efeito.

Apesar de suas críticas a forma de criar destes novos pais, Tiba admite que esta abordagem menos rígida melhorou a questão afetiva entre pais e filhos. O psicólogo acredita que os pais modernos conseguem ser mais presentes na vida dos filhos, de forma mais saudável.

O psicólogo, no entanto, deixa claro que apesar dessas mudanças positivas, é preciso que os pais não percam a autoridade sobre os filhos. Ele não acredita que seja muito vantajoso que um pai seja o “melhor amigo” do filho. Içami até mesmo diz que quando algum pai chega para ele dizendo que é o melhor amigo dos filhos, ele retruca perguntando se o indivíduo não tinha a liberdade nem mesmo de escolher os próprios amigos, já que escolhia o pai.

Em sua reflexão sobre a criação dos pequenos atualmente, Içami concluiu dizendo que os pais não acompanharam as mudanças do mundo, em sua maioria. Ao tentarem curar as feridas de sua infância na dos filhos, eles se perderam na autoridade como pais e, com isso, perderam a chance de passar valores preciosos aos filhos e que eles lhe respeitassem como autoridade.

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