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Paciência para fazer as coisas acontecerem…

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Em geral, somos bons em fazer pelo menos uma coisa, e às vezes, somos bons em fazer diversas coisas. A questão que surge, então, é: por que não somos bons em fazer nada? Um dos conceitos fundamentais do Taoísmo, Wu wei, aborda exatamente esta ação não-ação, ou, como é geralmente traduzido: ação sem ação. De certo modo, a paciência é wu wei, a paciência está nas coisas que não podemos fazer, está naquilo que nós não fazemos.



É muito comum ouvir as pessoas dizerem que vão fazer retiro neste mosteiro ou vão para tal país em busca da paz interior. Mas uma vez que a paciência está relacionada (exatamente) com o fato de não podermos mudar algo, de não termos condições de mudar aquela situação ou ambiente, por que é que não podemos encontrar a paz aqui e agora? Vamos tentar entender os conceitos da não-ação e conhecer as características da paciência, para podermos encontrá-la, cultivá-la e multiplicá-la.

Em primeiro lugar: você não vai encontrar a paciência no mosteiro no alto da montanha, isolado de tudo e de todos. Quer dizer, você até encontrará a paz lá, mas é até um tanto óbvio que sim, já que lá não há buzinas, crianças chorando 24 horas por dia, tratores, marteladas, trânsito, empurra-empurra, etc. Ter paciência num mosteiro silencioso e isolado é como usar guarda-chuva em ambientes fechados. Nós precisamos da paciência em meio à sociedade, assim como nós precisamos do guarda-chuva em dias chuvosos (e na rua).

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A própria palavra, paciência, vem do Latim pati, aguentar, sofrer. No dicionário, o mesmo significado pode ser encontrado: “suportar males” – e a parte mais importante – “sem revolta ou queixa”.

Tanto a paciência, quanto a impaciência, são hábitos. Os momentos que nos deixam impacientes, de um modo generalizado, têm a ver com dificuldades, chatices, mudanças (principalmente nos planos, aquelas que frustram nossas expectativas) e ou atrasos. Eu não consigo imaginar alguém neste mundo que consiga se livrar destes quatro monstrinhos. Enquanto que os momentos que nos deixam mais pacientes, geralmente, têm a ver com amor, compaixão e compreensão.

Impaciência: dificuldades, chatices, mudanças e atrasos.
Paciência: amor, compaixão e compreensão.


A má notícia é que algumas coisas são inevitáveis, não podemos alterá-las ou repará-las imediatamente, e é aí onde entrará o wu wei, aí vai entrar a maneira como nós reagiremos à situação. Lembre-se: a situação (externa) você não pode mudar, mas o estado mental (interno) só depende de você. Como devo reagir? Ser impaciente vai piorar ou melhorar a situação? E ser paciente?

A boa notícia é que a paciência não é um dom, é uma força; E como qualquer músculo, deve ser usado e exercitado, várias, e várias vezes, até se tornar mais forte do que o peso a ser superado. E para atingir isto, é preciso: 1. Querer; 2. Perceber; e, então, 3. Praticar.

O número um é bem óbvio. Ninguém vai se tornar mais paciente se não houver vontade. Ponto.

O número dois tem a ver com conhecimento. Quais são os momentos que te deixam impaciente? Por quê? Perguntas do tipo “por que ser paciente nesta situação é tão difícil para mim?” podem ajudar a conseguir este conhecimento. Eventualmente, você vai encontrar respostas como a fadiga, como a inveja – aquela pessoa tem algo que você não tem e não consegue ter de modo algum –, como a intolerância – aquela pessoa está fazendo algo que você nunca se permitiria fazer –, entre outras coisas. A impaciência vai aparecer, geralmente, com pessoas com as quais nos sentimos mais seguros, mais à vontade, pessoas que não vão nos demitir ou punir. Tenha cuidado!


Busque conhecer os motivos que te deixam impaciente, e busque possíveis soluções para eles.

Se eu pudesse sugerir algumas, elas seriam:

Procure entender que as outras pessoas também têm suas próprias limitações, seus cansaços, suas histórias, suas prioridades, seus valores, seus modos de ser e de viver. Respeite estas diferenças, tente compreender as suas limitações.

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Leia as entrelinhas! Geralmente, as pessoas dão sinais de que estão perdendo a paciência. Respeite estes sinais, recue quando for necessário, avance com cuidado, aborde de um modo diferente…
E, importante: não exploda repentinamente, dê (você) sinais de impaciência.
Um livro (O poder da paciência, M.J. Ryan) que eu li tinha um diálogo mais ou menos parecido com isto:
— Eu estou perdendo a paciência!


— Não se preocupe, mamãe, eu ainda tenho um pouco.
Quando uma pessoa se preocupa em manter a harmonia, em cultivar a paciência… Ela consegue!

Nem sempre você vai conseguir se segurar. Claro! Uma hora ou outra você vai explodir.  E tudo bem. Não encare isto como uma derrota. Não! Fracasso pressupõe fim, limitações, diminuição. Tente encarar estes momentos como lições! Aprendizado pressupõe crescimento, evolução, melhoria! O que eu posso aprender com esta situação? Como posso ser melhor na próxima vez?

Estas explosões costumam ser aquele famoso botão vermelho de alerta, que vemos em filmes. A pergunta que devemos fazer é: eu aperto este botão somente em casos extremos, ou qualquer coisinha eu já o aperto? Paciência nos permite lembrar que mesmo os longos períodos não são eternos, “muito tempo não significa para sempre”, diz um provérbio alemão.


Por outro lado, vale sempre a pena checar se aquele problema vale a pena (a explosão, o apertar do botão). Isto vai continuar assim em x horas/dias? Às vezes, nos desgastamos com pessoas que só participarão das nossas vidas uma única vez, durante poucos minutos – no trânsito, por exemplo. Numa das viagens espaciais que tivemos, uma série de luzes vermelhas se acenderam, no painel da espaçonave, e em vez de os astronautas abortarem a missão, eles se perguntaram: este troço ainda está voando? E, sim, o troço ainda estava voando. Então, eles começaram a verificar as luzes e resolver seus respectivos problemas, e assim, continuaram e completaram a missão. O que realmente importava ali? O que realmente importa na sua vida?

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Quando, em meio ao caos, você consegue trazer paz e harmonia para dentro de si, coisas maravilhosas acontecem! Programe-se para, conscientemente, identificar e trabalhar nestes momentos de alerta. Leve consigo sempre a compaixão, para si e para os outros. Foque nas soluções, treine sua percepção para enxergar o lado bom de todas as coisas. Questione: Há solução? Vai durar para sempre? Vale a pena?

O músculo-paciência será cada vez mais forte, e o peso do mundo será cada vez mais leve.


Os olhos de um animal têm o poder de falar uma língua única!

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