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Padre Julio Lancellotti doou absorventes para mulheres e homens trans pobres. Ajudou sem discriminar

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O ato de caridade não foi o primeiro e certamente não será o último do sacerdote.

A saúde íntima de pessoas que menstruam precisa de cuidado digno. Mulheres cis, trans e homens trans estão todos englobados no espectro de pessoas que precisam ter uma atenção a mais com sua saúde íntima no período da menstruação.

Porém, o absorvente descartável, um item de necessidade básica, não é distribuído pelo poder público, o que deixar pessoas com poucos recursos financeiros sem opções higiênicas para lidar com essa situação tão corriqueira, mas que se não for bem cuidada pode causar danos ao bem-estar de quem está menstruando.

Foi pensando em oferecer mais dignidade e proteção às pessoas que menstruam que absorventes menstruais foram distribuídos para pessoas em vulnerabilidade social em São Paulo, como mulheres e homens trans.

A ação começou no Viaduto Alcântara Machado, no Centro, e foi promovida pelo padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, e pelo grupo feminista “Juntas”. O padre ganhou maior reconhecimento midiático e nas redes sociais nestes últimos anos, uma vez que casos de solidariedade como esse foram muito praticados pelo padre durante a pandemia.

2 Padre Julio Lancellotti doou absorventes para mulheres e homens trans pobres. Ajudou sem discriminar

Direitos autorais: Reprodução / G1.

Em entrevista ao portal de notícias G1, uma das mulheres que estava presente na ação, Rosângela dos Santos, que vive nas ruas há um ano, afirmou que nem sempre é possível comprar o item de higiene pessoal tão necessário às pessoas que têm útero, que é o absorvente.

A mulher revelou que, às vezes, tem de vestir duas calças para não se manchar com o sangue menstrual. Ela contou também de outra alternativa, o uso de papel higiênico, quando não se pode comprar absorventes, o que é uma opção precária e pouco higiênica. Rosângela descreveu toda a situação como desconfortável e difícil, enquanto recebia a doação.

Moradoras de uma ocupação na Zona Leste da cidade de São Paulo também receberam os absorventes. Quinhentos pacotes foram distribuídos para quem precisava.

3 Padre Julio Lancellotti doou absorventes para mulheres e homens trans pobres. Ajudou sem discriminar

Direitos autorais: Reprodução / G1.

Perguntado sobre o motivo da doação, o padre disse que o absorvente é uma necessidade básica e um direito humano fundamental, direito à saúde menstrual, à saúde, à dignidade. Lancellotti contou que ouviu histórias de mulheres que, muitas vezes, se veem sem outra opção a não ser usar papel higiênico, jornal ou algum outro expediente para conter a menstruação. O sacerdote acrescentou que tal situação era indigna, incompatível com a vida humana.

A doação dos itens sanitários tinha como objetivo chamar a atenção para a pobreza menstrual, assunto que ganhou visibilidade após o veto do presidente Jair Bolsonaro a um projeto de lei que previa a distribuição gratuita de absorventes pelo poder público.

Desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera o acesso à higiene menstrual um tema que precisa ser tratado como questão de saúde pública e de direitos humanos.

O problema afeta até a educação das adolescentes. Dados da ONU mostram que, no mundo, uma em cada dez alunas não vai para aula no período menstrual, pois sem o absorvente ou outras alternativas mais higiênicas, como calcinhas absorventes próprias para o período ou coletores menstruais descartáveis ou reutilizáveis, elas se sentem desconfortáveis em frequentar o colégio. No Brasil, a situação é ainda mais grave: uma entre quatro estudantes já deixou de frequentar a escola por não ter absorvente íntimo.

Claudia Dagmar, uma das mulheres presentes na ação e que foi entrevistada, contou que estava desempregada e tinha seis filhos, dos quais três eram meninas adolescentes. Sem casa há três anos, a mãe conta que elas se viravam como conseguiam quando o assunto era menstruação e saúde íntima. Todos os meses, sem a garantia de poder comprar absorventes, elas convivem com o desconforto e os riscos para sua qualidade de vida.

Um dos métodos que Dagmar contou que ela e as filhas já tiveram que usar foram panos velhos para conter o fluxo de sangue menstrual. A mulher pontuou o risco de infecções que tal atitude poderia provocar, mas disse que, às vezes, essa era a única solução, pois usar um absorvente era algo muito necessário.

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