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Pai diz à polícia que notou mudança em corpo de grávida que morreu após aplicar ‘kit aborto’, mas não sabia de gestação

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O pai da grávida de 27 semanas que morreu ao tentar abortar o bebê de 7 meses afirmou em depoimento à polícia que não sabia da gestação, mas havia notado diferença no corpo da vítima.



A jovem não resistiu após aplicar injeções na barriga e reclamar ao namorado de dores horas depois do procedimento (relembre o caso aqui). Os dois tinham comprado um chamado “kit aborto” pela internet por R$ 1.400.

Segundo o relato do pai à polícia, a família estava em casa quando decidiu pedir um lanche. A filha aparentava estar bem e alegou que fazia uma prova online da faculdade no quarto e com a porta fechada. A vítima não chegou a jantar.

Por volta de 4h20, os pais acordaram para levar a filha para pegar o ônibus destinado para levá-la ao trabalho, quando notaram que a vítima não levantou com o despertador. Na sequência, a mãe a encontrou caída no quarto.


O Samu foi chamado, mas a vítima já estava sem vida. Em seguida, o namorado foi chamado e ao chegar ao local aparentou estar assustado com a situação. Contudo, confessou que os dois tinham feito um procedimento, sem revelar, até então, que seria a tentativa de aborto.

À polícia, o pai confirmou que não sabia da gravidez e imaginou que a vítima tinha apenas engordado. Perguntado sobre o comportamento da jovem, ele citou que a vítima parecia normal e não aparentava sintomas de dores.

 

Investigação


O caso foi registrado na terça-feira (26), em Votorantim (SP). Kevin Willians, de 22 anos, foi preso em flagrante, mas será investigado em liberdade. Ana Carolina Pereira Pinto, de 20 anos, morava com os pais, que não sabiam da gestação, descoberta pelo casal havia cerca de um mês. A defesa de Kevin disse que ele colabora com a investigação e que vai se pronunciar em momento oportuno.

De acordo com o delegado José Antônio Proença Martins de Melo, o vendedor pode ser responsabilizado pelo mesmo crime de aborto com o consentimento da gestante.

“A substância ainda é desconhecida e com o resultado do aborto, o vendedor pode ser responsabilizado pelo mesmo crime de aborto com o consentimento da gestante. No caso, foi procurada a clandestinidade e havia o medo, porque o caso viria à tona”.

A Polícia Civil aguarda a chegada do laudo do IML, a perícia do local, toxicológico e a perícia nos celulares. O aparelho da jovem pode ajudar na identificação do vendedor — não se sabe ainda como o casal comprou o produto.


Ainda segundo a polícia, podem existir outros crimes contra o fornecedor se for constatado medicamento estrangeiro e não autorizado pela Anvisa.

Interrogatório

O namorado detalhou o ocorrido em um interrogatório à Polícia Civil. Segundo o registro, o casal não estava brigado e mantinha um relacionamento havia cerca de 2 anos. Contudo, um mês atrás a jovem relatou que estava com sintomas de gravidez. Os dois decidiram fazer um teste de farmácia, que confirmou a gestação.


Na época, Ana marcou uma ultrassonografia. Foi constatada a gravidez de 27 semanas de um menino. Durante uma conversa entre os dois, ela citou receio de prosseguir com a gestação e como contaria à família sobre o filho.

Ambos chegaram ao consenso de não seguir com a gestação, ainda com base no relato, por conta da idade e “pouca e experiência”.

Segundo o namorado afirmou, a vítima teria feito pesquisas sobre métodos abortivos. O rapaz relatou que chegou a falar sobre risco, mas que ambos concordaram com a compra da substância abortiva, que foi realizada pela vítima, no valor de R$1.400, via PIX.

A encomenda foi entregue na casa de Kevin. Os dois, então, combinaram de achar um local para aplicarem o produto. O lugar escolhido foi uma pousada no bairro Campolim, na Zona Sul de Sorocaba.


O investigado detalhou que a vítima pegou as injeções e disse que tinha medo de aplicar. Em seguida, pediu ajuda ao namorado. Ainda de acordo com o relato, foram quatro aplicações na barriga. A “técnica” de como injetar o medicamento, segundo o rapaz, foi explicada pela pessoa que vendeu o produto à vítima.

 

‘Minha barriga parece que vai explodir’

No dia seguinte, os dois foram trabalhar e, perto do fim do turno, a jovem contou que sentia dores de cabeça e cólicas. Ainda segundo o registro, os sintomas pioraram com o passar das horas e surgiram dores no estômago e vômitos.


Em determinando momento, Ana contou a ele: “minha barriga parece que vai explodir”.

 

Segundo o relato do namorado à polícia, a vítima o questionou sobre pedir ajuda aos seus pais, e ele disse para manter a calma por achar que a situação não era grave. Assim, a orientou para não contar sobre o caso.

De acordo com o documento, a vítima insistiu em falar sobre o problema com a família e o namorado continuou pedindo para que não o fizesse. Os dois estavam preocupados com o dia seguinte de trabalho.


Como eles entenderam que ela estava entrando em trabalho de parto, o investigado afirmou à polícia que sugeriu que namorada entrasse em contato com a pessoa que vendeu o kit em vez de ir ao hospital. Durante a conversa, sentindo dores, a vítima lhe disse que a bolsa havia estourado, mas que não teve resposta da pessoa.

Questionado sobre o momento que a vítima manifestou que queria falar com os pais, Kevin disse que estava nervoso. Ao fim da noite, conforme ele, os dois conversaram rapidamente, mas a vítima disse que não poderia falar e que tentava dormir.

Por volta das 4h de terça-feira (26), o namorado de Ana recebeu uma ligação da sogra sobre a morte.

Procurado pelo g1, o escritório Miranda e Vieira, que advoga para Kevin Willians, informou que irá se pronunciar em outro momento.


“O mesmo está colaborando com a toda a investigação, para que haja a apuração de todos os fatos e eventual responsabilização pelos atos praticados e que irá se pronunciar em momento oportuno.”

O rapaz foi preso em flagrante por crime contra a vida, que foi provocar aborto com o consentimento da gestante.

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