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Pai grávido: entenda como homens podem gestar e dar à luz e mulheres trans amamentar!

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Muitos internautas se perguntam como homens trans conseguem levar uma gestação adiante, e como mulheres trans conseguem passar pelo processo de lactação.

A concepção, gestação, parto e criação infantil são temas que envolvem uma quantidade inimaginável de expectativas culturais, sempre envoltos em uma relação pré-estabelecida de quais pessoas podem ou não ocupar determinadas categorização. Na gravidez, por exemplo, espera-se que a pessoa que vai gerar a criança seja “feminina” e se encaixe nos ideais e expectativas do que é “ser mulher”.

Mas, com o passar dos anos, as histórias sobre pessoas transgênero ou transmasculinas que experienciam a gestação tem se tornado mais cada vez mais presentem em nossa sociedade. O nascimento de Noah, filho do casal transcentrado, Érika e Roberto, chamou a atenção nas redes sociais, ganhando inclusive um documentário produzido pelo UOL.

Os termos que acompanham a história do casal podem causar estranheza em quem os lê pela primeira vez, mas basta continuar para compreender que tudo pode ser explicado de duas formas: a primeira é através da ciência; e a segunda, pelo desejo de ter um filho. Segundo reportagem do UOL, Roberto Bete, de 32 anos, tinha o desejo de se tornar pai, mas nunca imaginou que seria ele quem carregaria a criança.

Ele e Érika Fernandes acabaram tentando engravidar, e passaram cerca de um ano no processo, e para que conseguissem, pararam completamente com o tratamento hormonal que faziam. Como os dois fizeram a transição de gênero, ou seja, tiveram um sexo biológico atribuído no nascimento, mas mudaram para o sexo oposto, foi preciso parar com a hormonização para que conseguissem conceber Noah de maneira natural.

2 Pai gravido entenda como homens podem gestar e dar a luz e mulheres trans amamentar

Direitos autorais: reprodução Instagram/ @roberto_bete

Afinal, como um homem trans engravida?

De fato, pode parecer estranho, mas é preciso se livrar das generalizações do que é ou não uma pessoa transgênero ou transmasculina. Cada um pode passar pelo processo de transição de maneira diferente, estar em etapas que nem sempre todos os outros irão passar, porque cada forma e manifestação de identidade vai depender de cada indivíduo, como apresentam alguns estudos a respeito do assunto.

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Em muitos casos, o homem trans não retira o útero e os ovários, e isso vai depender do grau de satisfação corporal que ele tem. No caso de Roberto, ele ainda tinha o órgão reprodutivo, assim como Érika não passou pela cirurgia de retirada ou de redesignação do seu órgão reprodutivo, o que significa que eles poderiam sim conceber uma criança de maneira natural.

A única exigência ou indicação de obstetras é que, para a segurança da criança, o homem pare com o tratamento hormonal de testosterona enquanto tenta engravidar e enquanto gera o filho. Os médicos ainda explicam que, para o caso dos pais que não desejam amamentar, é possível retomar a terapia hormonal logo depois do puerpério, 45 dias depois do nascimento do filho.

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Roberto já tinha passado pela mastectomia, cirurgia de retirada das mamas, e optou por não amamentar Noah, mas a decisão sequer precisou ser vista como algo difícil. Isso porque Érika sempre teve o sonho de se tornar mãe, mas como não podia gerar por não ter útero, sempre fez questão de amamentar o filho, o que nos leva a outra questão.

Como uma mulher trans amamenta?

Muitos não imaginam que uma mulher transgênero possa amamentar, mas é importante reforçar que a explicação não é um bicho de sete cabeças, na verdade é bem científica. Érika voltou a fazer sua terapia hormonal de estrogênio e progesterona logo depois que Roberto confirmou a gravidez, e entrando em contato com especialistas, descobriu que poderia induzir a lactação.

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Ela passou a ingerir domperidona, uma medicação prescrita para quem tem problemas estomacais, mas que junto com o estrogênio e a progesterona, induzem a prolactina, hormônio responsável por induzir que as glândulas mamárias produzam leite. Mas esse não é o único tratamento hormonal utilizado para as pessoas que desejam amamentar e não passaram pela gravidez (acontecendo também em casos de adoção), apenas o médico especialista saberá qual é o ideal para o paciente.

No primeiro caso de mulher trans a amamentar documentado pela literatura científica, por exemplo, a paciente foi colocada em regime hormonal com spironolactone, diurético que reduz a produção de testosterona, estradiol e progesterona, hormônios femininos que buscavam simular uma gestação no corpo da paciente. Ela ainda tomou galactagoge, substância endógena que promove a lactação em mamíferos, além do uso regular da bomba extratora de leite para estimular a produção.

Fertilidade de pessoas trans

Os médicos não sabem mensurar em qual nível as pessoas transgênero, que fazem terapia hormonal, podem ter a fertilidade afetada. Nos casos de quem toma testosterona, o estrogênio é bloqueado, o que faz com que o útero diminua de tamanho, semelhante à menopausa. Quando o paciente escolhe parar o tratamento, é esperado que ele volte ao tamanho normal, em um processo que pode levar anos, e nem sempre ele volta a ovular.

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No caso de mulheres trans que fazem hormonização, o bloqueador de testosterona e o estrogênio ou demais hormônios femininos vão impactar diretamente na produção de esperma. Médicos acreditam que a capacidade de concepção possa sim ser afetada, mas ainda não existem estudos que comprovem os dados.