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Palavras bonitas me deixam em êxtase, mas experimente me surpreender com atitudes!

PALAVRAS BONITA ME DEIXAM EM ÊXTASE capae dentro

Leia ouvindo: I’ll Try Anything Once – Julio Casablancas



Palavras bonitas me deixam em êxtase, mas experimente me surpreender com atitudes. Sabemos que ambos, quando usados negativamente, afastam e marcam pessoas para sempre. Mas não são sobre traumas que vou escrever. É sobre amor!

Ando meio brigada com o amor. Assim como em qualquer relação, a nossa própria ligação com o amor em alguns momentos fica mais estremecida. São os duros golpes da vida que nos deixa assim, meio descrente que tudo pode voltar a ser contente. Apesar de decepções se fazerem necessárias, o amor é urgência. Podem falar o que for, mas ninguém vive bem sem amor, e não é necessariamente o próprio que estou querendo dizer.

Mesmo com a nossa relação estremecida, parece que o universo insiste em me mostra que: “Juliana, veja bem, não é tudo tão ruim como você anda pensando”. Talvez não seja mesmo, Sr. Universo! Mas é que depois de um tempo, de alguns bons golpes engolidos a seco, a gente não busca só amor leve, a gente quer coerência e pés no chão.


Todo amor é válido, mas só isso não basta. Amor tem que vir para preencher, sabe? Já temos o suficiente, o brilho próprio, o coração cheio, o que vier de mais amor, é lucro. É isso, amor tem que ser lucro, não prejuízo.

E isso tem muito a ver com a nossa maneira de amar. De nada adiante preencher com um amor ciumento a liberdade que se quer ter. De nada adianta preencher com liberdade um amor que é dependente. Lembra da tal coerência? Pois bem. Amor até une extremos, mas não sustenta tal união.

PALAVRAS BONITA ME DEIXAM EM ÊXTASE capae dentro

Eis que para sustentar e crescer, é preciso ser atento, dedicado e paciente. Pacientes, meus amigos! Natural que uma geração que sofre de ansiedade não se dê bem no amor.


[– Garçom, me veja um álibi!]

E diante de tanta birra com o amor, o Universo (sempre ele), mando um recado. Veio em forma de lembrança do facebook. Veio em forma de declaração de amor. Veio em forma, que ironia, dos votos de um padrinho para seus afilhados num casamento. O padrinho, bem, era ninguém menos que Antônio Prata.

“…enquanto eu escrevia esse texto, pensei na geração dos nossos pais e na nossa e comecei a achar que talvez eu tivesse errado. Que talvez, pra quem nasceu nos anos setenta, filho da geração que foi hippie, que morou em comunidade, que queimou sutiã e o escambau, a verdadeira loucura seja essa: o casamento. A gente não foi criado pro compromisso, nem pra doação. Somos uma bola dividida entre os hippies e os yuppies: de um lado, o discurso libertário, do outro, o individualismo.

Não é à toa que hoje em dia, quando se fala em amor, os versos que mais surjam sejam os últimos do soneto da Fidelidade, do Vinícius: “Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. São versos lindos, claro, mas eu sempre achei que evocar eles no começo de uma relação envolve 50% de lirismo e 50% de picaretagem. Como assim, “que não seja eterno?” Se você ama, a primeira coisa que deseja é que seja pra sempre, não? Pra que abrir a porta de entrada já de olho na porta da saída? Eu também implico com o “posto que é chama”. A chama é algo que nos queima, é ela o agente da ação, nós somos o objeto, a lenha.


Longe de mim remendar o Vinícius, mas acho, ou na verdade, espero, que a gente tenha um papel um pouquinho mais ativo numa relação amorosa. Que possa alimentar essa chama, botar mais lenha na fogueira, abanar o fogo. Por isso sempre achei que a parte mais bonita do Soneto da Fidelidade não é o final, mas o começo: “De tudo ao meu amor serei atento, antes.” Essa máxima devia tá colada nos vidros dos carros, nos espelhos dos banheiros, devia tá escrita nas faixas dos caminhões, o ministério da saúde tinha que mandar imprimir nos maços de cigarro e os chineses deveriam incluir nos biscoitos da sorte: “De tudo ao meu amor serei atento antes”.

Antes do trabalho, antes dos compromissos sociais, antes do dinheiro, do sucesso e de todas as outras imposições egoístas da nossa época, o amor. Essa é a verdadeira loucura. Por isso que, terminando, eu desejo a vocês a mesma coisa que o Alexandre desejava pro Cassiano, lá por 83: sejam loucos, meus amigos!

De tudo, ao amor de vocês sejam atentos antes e façam o que tiver ao alcance pra serem felizes para sempre! O senhor já pode beijar a noiva”

Antônio e o seu santo conselho. Antônio e suas belas palavras. Antônio, ah, Antônio.


Que sejamos atentos, antes. Sempre antes.

Acredite. O melhor momento da sua vida é agora!

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