Comportamento

Para ajudar crianças pobres a estudar, comunidades constroem mais de 100 escolas com lixo

A iniciativa desenvolve consciência crítica e ambiental na comunidade, que precisa se unir para construir as escolas, além de mostrar aos jovens como a educação mobiliza gerações.



O poder transformador da educação é incapaz de ser mensurado. Pode mudar comunidades inteiras, alterar o curso de uma nação e até reordenar a sociedade. A capacidade que a instrução tem de garantir aos indivíduos dignidade, solidariedade e empatia é possível de ser notada no dia a dia de crianças e adolescentes.

A educação é um bem da humanidade e direito de todos os cidadãos, sem exceção. Infelizmente, o que vemos é o oposto, com milhões de crianças sem acesso aos direitos básicos e a educação sendo manipulada como um poder aquisitivo das elites, algo com que apenas alguns poucos podem ter contato.

Essa realidade é refletida no próprio tecido social, onde as famílias periféricas não conseguem sair do ciclo da pobreza justamente por não ter oportunidades que lhes garantam mudanças profundas em suas rotinas.


A organização não governamental Hug It Foward, criada por Zach Balle, Heenal Rajani e Joshua Talmon há 12 anos, na Guatemala, objetiva ajudar comunidades de baixa renda a construir escolas.

Os voluntários do projeto se unem aos moradores para erguer estruturas feitas de garrafas pet recheadas de lixo inorgânico. Já foram 116 escolas construídas na Guatemala, mostrando para todos que é possível unir ativismo social à consciência ambiental.

As fundações, pilares e vigas são de concreto armado e vergalhão, mas os blocos de concreto tradicionais são substituídos por blocos ecológicos, garrafas pet recheadas de material inorgânico e não reciclável.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Hug It Foward.


Para os envolvidos no projeto, as escolas de garrafas solucionam dois problemas ao mesmo tempo: ajudam a comunidade com a educação ambiental, já que todos precisam auxiliar na coleta do material que vai ser utilizado, e oferece educação a todas as crianças que não a têm.

Quando todos se dão conta do impacto ambiental do lixo e da sua potencialidade, passam a encará-lo de outra forma. Com a coleta, as comunidades ficam mais limpas, sem lixo nas ruas, no ar, na água e no solo.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Hug It Foward.

As crianças se beneficiam porque passam a ter oportunidades educacionais verdadeiras, as meninas encontram mais chances na sociedade, a comunidade pode sair da pobreza, todos são educados ambientalmente e a juventude inteira é capacitada, podendo passar o aprendizado da construção de escolas para frente.


Para que tudo dê certo, moradores, pedreiros e voluntários precisam se unir para construir as fundações, pilares e vigas de concreto armado. As paredes da escola são feitas de blocos ecológicos, ou seja, depois que todos recolheram o lixo, ele é preparado para ser utilizado como tijolo. Essa opção é viável, já que não é preciso dinheiro para ser produzida, basta recolher o próprio lixo que está nas localidades.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Hug It Foward.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Hug It Foward.

No site da ONG, eles disponibilizam o Manual de Escolas de Garrafas, onde explicam passo a passo como construir uma estrutura desse porte, quanto será investido nela, como a comunidade pode ajudar e como os governos devem atuar.


O principal objetivo do projeto é capacitar crianças, jovens e adultos, fazendo com que eles consigam se emancipar financeiramente, socialmente e emocionalmente.

Já são mais de 100 escolas na Guatemala e duas em El Salvador, e mais de 323 salas de aula construídas. Os idealizadores do projeto afirmam que cada escola construída é um investimento no senso intangível de resiliência e autocapacitação da comunidade, os benefícios a longo prazo são ilimitados e podem trazer muitos benefícios às regiões envolvidas.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Hug It Foward.

 


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