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Para onde nos leva a carência afetiva?

A carência afetiva é um dos maiores ladrões de felicidade que pode existir. Ela é um buraco sem fundo, o qual a pessoa que a sente não consegue preencher e do qual, muitas vezes, não consegue sair.   

Além disso, ela é um péssimo guia, pois nos leva por caminhos extremamente escuros e para becos sem saída, direcionando a pessoa para escolhas erradas, e que acabam por reafirmar as crenças distorcidas e negativas que sustentam a carência, aumentando ainda mais a falta afetiva.



É enorme o número de pessoas que estão presas em sua própria carência afetiva, tornando-se vítimas de padrões de relações que fazem sofrer.

Pessoas, que a despeito de suas qualidades e conquistas, sentem-se sem valor e não merecedoras do amor e de bons sentimentos dos outros, bem como de si mesmos.

Quando alguém sofre de carência afetiva, torna-se vítima da própria carência, que o leva a viver situações internas e externas que causam sofrimento e dependência.

Mas o que é a carência afetiva?

A carência afetiva é a falta de afeto, que pode se manifestar de forma prolongada e constante, ou ser mais pontual, em decorrência de um evento ou momento específico da vida. Essa falta é a falta de autoestima, que nada mais é que a  falta de estima por si mesmo, falta do amor-próprio e confiança em si.


De uma forma equivocada, porém, a pessoa carente procura preencher essa falta, buscando fora aquilo que só pode ser encontrado dentro.    

Ela acaba repetindo, assim, uma cena antiga e primária da relação com os pais, onde ela conseguiu construir internamente uma confiança em seu valor de que era amada exatamente como é.


Esta busca, equivocada, por amor, torna a pessoa carente quase que um mendigo emocional, aceitando somente migalhas; um faminto emocional, voraz por cuidados e atenção que nunca são suficientes.     

Seja qual for a posição, acabam se inter-relacionando  e criando uma jeito de funcionar específico.

Como surge a carência afetiva?

É nas relações primárias, com pai, mãe e familiares, que se estabelece a matriz da carência, um padrão que se não for dissolvido, por cuidados e ressignificações, vai se repetindo pela vida, até que possa ser compreendido, desconstruído e reeditado.

Este padrão pode ser motivado pela falta de atenção e afeto, ou pela não confirmação do valor da criança, sendo que, neste caso, a criança duvida que mereça ser amada pelo que é, integralmente e na sua essência.

No outro caso, há um cuidado excessivo dos pais, que impedem que a criança se torne independente e confiante de sua força e vontade, tornando-a dependente da presença e de confirmação de amor e companhia, todo o tempo.

Como se manifesta a carência afetiva ou quais são os sinais da carência?

Cada pessoa é única em sua expressão no mundo, e manifesta, também, de forma única sua carência, de acordo com sua história e leitura da realidade, porém, alguns sinais são comuns.

Aqueles que receberam de menos na infância podem carregar em si a ideia de que não são suficientemente bons e que, para compensar isso, devem oferecer muito aos outros. Aliás, para essas pessoas, aquilo que elas oferecem aos outros é sempre pouco, então, ela inicia uma jornada sem fim de cuidados e agrados para compensar aquilo que acredita faltar em si.

Resultado final? Acabam esgotadas e sufocando o outro, além de criar uma expectativa, fadada à frustração, de que o outro vai retribuir na mesma proporção e medida.

Os que receberam muito, por sua vez, pedem demais, nada lhes é suficiente, o que gera um sentimento de eterna insatisfação e  uma  impotência no parceiro.

Em ambos os casos, é possível encontrar o dar muito e o querer muito, cada um por um caminho, mas os dois, pelo mesmo motivo: a falta de amor-próprio.

E para onde a carência afetiva nos leva?

  • Ela nos leva a pedir ou a dar demais, gerando cobranças e insatisfação;
  • Ela nos leva a nos contentar com pouco ou a achar que aquilo que o outro nos oferece é sempre pouco;
  • Ela nos leva a fazer escolhas às cegas, guiados pela falta, pelo medo e não pelo desejo;
  • Ela nos leva a fazer escolhas ruins, onde recebemos pouco ou nada, pelo medo da solidão ou de ficar sem nada;
  • Ela nos leva a nos contentar com migalhas, que tapeiam a fome afetiva, mas não nos nutrem verdadeiramente;
  • Ela nos  leva e entrar e ficar em relações abusivas, que reproduzem e confirmam o padrão de menosvalia estabelecido na infância.

A carência pode nos tornar um peso para o outro, porque, no final das contas, estamos pedindo que o outro realize uma tarefa que é só nossa: AMAR-NOS!

Sim, os nossos parceiro ou nossos amigos não podem pagar uma conta que é nossa, e que tem suas raízes em nosso passado.  Amar a nós mesmos começa conosco e tem raízes em nossa história com  nossos pais.  E só nós podemos reeditar esta história, perdoar nossos pais e seguirmos adiante, por outros caminhos.

Só nós podemos preencher com coisas boas essa falta, qualquer outra coisa vai ser tentativa de tapar buraco!

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Direitos autorais da imagem de capa: vectorfusionart / 123RF Imagens

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