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Para quem ainda não conseguiu aceitar…

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Do ponto de vista individual, o nascimento é o marco zero da personalidade, sonhos e monstros.



Em geral, é o momento que traz alegria às famílias; mas eles já estavam aqui, e, se comparamos com o recém-nascido, este nascimento não vai afetar em nada o psicológico destas pessoas. Para o bebê, por outro lado…     

As visitas, as fotos, os beijos, os mimos, os sorrisos, a voz aveludada, a presença, entre outras coisas são mensagens passadas repetidamente ao bebê de que ele é bem-vindo, amado e aceito.

Até a página dois, é um cenário perfeito, mas a partir do momento em que essa criança começa a conviver com estranhos, ela descobre que nem todo mundo a recepciona bem, nem todas pessoas a amam, muitas não só não a amam como não se importam, ela passa por elas despercebida. “Tanto faz”. É o início de uma jornada dura.


Algumas pessoas não conseguem atravessá-la mesmo depois de crescidas. Dentro delas, ainda vive aquela criança que acha que todo mundo tem que amá-la, que o normal é a aceitação unânime.   

Claro que nem todo solo propicia a germinação, mas aqui, a vida planta o complexo de inferioridade, rejeição, insegurança, e outras ervas daninhas. Quando germinam, a criança tenta restaurar aquele cenário perfeito onde todos a amam, e começa a fazer de tudo para conquistar quem não gosta dela, acreditando que se ela se esforçar mais, será amada e aceita.

Na vida adulta, o cenário não é perfeito, as pessoas não vão te visitar só pra te ver dormir ou fazer uma gracinha qualquer. Alguns nos amam, mas têm aqueles que não gostam de nós, e ainda há pessoas que são indiferentes, neutras.

Ter maturidade emocional é saber lidar e conviver com os três grupos de pessoas, sem causar danos, mágoas, exageros ou conversões. Por outro lado, quando este adulto é emocionalmente imaturo, ele quer fazer o cenário da vida adulta ser o cenário da primeira infância – a todo e qualquer custo, ainda que ele se humilhe e sofra. Ele, então, passa a ignorar completamente as pessoas que o amam – às vezes, ele as perde –, e passa a se dedicar de corpo e alma, investindo toda a sua energia e tempo nas pessoas que não gostam dele, na ilusão de que vai provar que todos estão enganados, que ele é amável sim, e todos vão amá-lo e aceitá-lo.


O pior acontece quando este adulto consegue fazer a conversão, a pessoa passa a “gostar” dele! A partir deste momento, esta pessoa perde completamente a sua importância. O adulto precisa de outra vítima. Sua vida é resumida a uma guerra infinita de conversões.

Esta imaturidade traz o problema da falta de autoaceitação. Se você não se ama, o amor dos outros faz falta. Se você não se aceita, a aceitação dos outros faz falta.       

Felizmente, alguns estudiosos compartilham métodos para atingirmos este nível de auto aceitação e amadurecimento. Afinal de contas, o “cenário perfeito” só existe nos primeiros anos de vida, é preciso aceitar que ele acaba, assim como tudo na vida.

A chave para a aceitação é dedicar energia para as coisas que podemos mudar, ao invés de as coisas que fogem ao nosso controle.     


Intenção

O psicólogo Jeffrey Sumber diz que a aceitação começa com a intenção. Precisamos sair do cenário de culpas, dúvidas e vergonha e ir para o cenário de aceitação, confiança, permissões e tolerância. Viver num mundo de aceitação é muito mais fácil do que num mundo onde temos que correr atrás das pessoas e forçá-las a nos amar, todos os dias, até morrer!



Lado positivo

Com tantos sermões sobre ego e pecado, na nossa cultura, somos mais propensos a ver os nossos defeitos, muito mais do que vemos nossas qualidades. Criar uma lista com nossas qualidades, lê-la com frequência e atualizá-la conforme adquire-se novas, e ou, quando faz-se coisas boas é uma boa maneira de contrabalancear. Eu sou gentil. Eu sou simpático. Eu tenho riso fácil. Eu sou paciente. Eu sou carinhosa. Eu sou bem-humorada. Eu superei tal situação. Eu perdoo com facilidade. Criativo. Persistente. Dedicado. Articulado…



Avaliação social

Algumas pessoas nos trazem energias boas, outras, além de trazer energias ruins, deixam-nos sem energia alguma! Pare para analisar quem é quem, livre-se de quem o deixa estressado, inseguro, triste, desanimado, cansado, humilhado, preocupado. Aproxime-se de quem o deixa animado, feliz, confiante, entusiasmado, inspirado. Quem está sempre reclamando de tudo? Quem só diz coisas negativas? Quem ofende e desrespeita? Quem julga demais? Quem desencoraja? Quem está sempre de bom humor? Quem sempre diz coisas bonitas? Quem sempre elogia e vê o lado bom? Quem acredita no seu potencial? Isto também vale para televisão, livros, filmes, músicas e jornais!


Perdão

A vida não vem com um manual de instruções, perdoe! Se alguém errou contigo, perdoe – não significa que você tem que conviver e dar outras chances, apenas que não precisa carregar o peso dentro de si. Mais importante ainda: se você errou, perdoe-se – e neste caso, você vai ter que conviver consigo até morrer. “Eu tomei a melhor decisão com as informações que eu tinha”. “Hoje eu consigo ver que errei, mas na hora, parecia a melhor coisa a fazer”.


Cale o diabinho

Para estas pessoas é comum ouvir críticas, vaias e vozes de desencorajamento no seu interior. “Burro!”, “Você não merece!”, “Quem você pensa que é?”, “Eu não sou capaz.”. Elas confundem o diabinho com “a verdade”. Se essas críticas são palavras que você nunca diria a quem você ama, então elas não são “a verdade”, não é honestidade, é um julgamento duro e injusto. Cuidado! – Um parêntese: um dos meus vizinhos tem uma criação de galinha-d’angola. Pode soar como algo legal, mas conviver com elas é ter que ouvir “tô fraco” dia e noite, um mantra nada encorajador! Algumas pessoas criam galinhas-d’angola dentro da própria cabeça!
Dê voz ao anjinho, crie mantras de positividade e encorajamento. Lembre-se de que nossas imperfeições são indicadoras de humanidade e oportunidades de aprendizagem, cura e crescimento. “Eu sou humano e estou fazendo o melhor que posso e consigo, agora”.



Doe

Doação geralmente é associada ao dinheiro, roupas e alimentos, mas é possível doar muitas outras coisas, sem tirar qualquer coisa de si. Atenção, carinho, tempo, conhecimento, música, artes, sorrisos, abraços, presença… Quando você doa ao outro, você percebe que você é importante para alguém, que você afeta positivamente a vida de outras pessoas. Uma vez que você conseguiu se ver desta maneira, fica cada vez mais difícil acreditar que você não é uma boa pessoa, e, quem perde é quem não consegue enxergar a pessoa maravilhosa que você é.


O Segredo

Muitos veem a Lei da Atração apenas como meio para ter coisas, esquecendo-se do ser. Poucas pessoas fecham os olhos e imaginam-se na sua última fase da vida. Se seu eu-de-hoje encontrasse o seu eu-final, que tipo de conversa vocês teriam? Embora seja um bom mecanismo de atração, esta prática pode ajudar a pessoa a encontrar as coisas boas que já existem dentro de si, e ela não sabe. Como esta versão evoluída falaria? Como ela agiria? Com amor, empatia, compreensão, compaixão, paciência, otimismo?

Entender que a vida não vem com manual de instruções e que não somos perfeitos, ajuda-nos a perdoar a nós mesmos. Perdoar a nós mesmos nos leva a aceitar quem somos. Aceitar quem somos nos leva a amar a nós mesmos. Amar a nós mesmos nos traz certeza de que merecemos o melhor e isto tudo nos leva à felicidade.

Mas, acima de tudo: é fato da vida que nem todos vão gostar de você, não importa quanto se esforce. Então, pra que perder tempo com quem não o ama? Pra que deixar de lado quem o ama? Faz mais sentido dedicar tempo e energia a quem lhe faz bem ou a que lhe faz mal?

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Direitos autorais da imagem de capa: dreamerve / 123RF Imagens

Tenho receio de gente sem graça, que só enxergam a negatividade na vida!

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