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Para viver um grande amor…

Audácia minha me apoderar de um título tão nobre de um livro tão nobre, cujo autor é mais nobre ainda, todavia, empresto a frase para completar e dizer que para viver um grande amor é preciso coragem.



É chegado o dia dos namorados, data que mais entristece do que acalenta, as pessoas olham para as propagandas apelativas e então olham para si, para seus relacionamentos, e sofrem – o amor é erradamente muito mais idealizado do que vivido – por pura falta de coragem.

Diferente de em outros países, aqui, restringimos o dia dos namorados apenas aos casais, enquanto que, em outras culturas ele é dedicado ao amor, a qualquer amor, a todos eles!

PARA VIVER UM GRANDE AMOR FOTO DE CAPA E FOTO 01


A comemoração desta data remonta o Império Romano. Um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos pelo imperador romano Claudius II. Porém, o bispo desrespeitou a ordem imperial e continuou com as celebrações de matrimônio de forma secreta. Foi preso pelos soldados e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento.

O bispo Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro do ano 270 e é nessa data que se comemora o dia do amor na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil a data é comemorada em 12 de junho por preceder o dia de Santo Antônio, considerado o santo casamenteiro. A data foi criada por comerciantes paulistas em 1953.

Vinícius de Moraes, autor da frase que intitula o meu texto, escreve que “para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor.” É dessa dor que quero falar hoje, porque ela é tema chave de qualquer psicoterapia – a dor de amor. Sei que muitas pessoas vão passar por ela no próximo dia doze enquanto que uma minoria vive o clichê do “Dia dos Namorados”, minoria mesmo.

Vivenciamos muito mais frustração do que qualquer outro sentimento em datas como essa, só porque não vivemos os romances das novelas.


Sabem por que criaram o termo “amor impossível”? Por medo! E foi por isso que disse logo acima: para viver um grande amor é preciso coragem…e quase ninguém a tem! Não existem amores impossíveis, todos os amores são possíveis, amar é como nascer! E nascer é o seguinte: num dia estávamos nós, confortáveis e quentinhos dentro do útero das nossas mães quando, de repente, nos tiraram de lá, daquela situação tão confortável, e por isso tivemos medo. Medo do desconhecido, da dor, da luz, do novo.

Contudo, foi exatamente esse “novo”, essa dor que é o nascimento, que nos levou ao êxtase do que é viver. Se não tivéssemos enfrentado o nosso medo, não saberíamos, não experimentaríamos o existir. Amar é assim, é sair da zona e conforto, passar pelo turbilhão da mudança e então, viver.

O medo nos impede, nos barra, nos trava e o sofrimento por não arriscar é muito maior. Muitas mulheres insistem em relações fracassadas, em “amar” pessoas não dispostas a amá-las, em enveredar-se por relacionamentos turbulentos por puro medo.

As pessoas têm medo de amar e, paralelo a isso, somos uma espécie em briga constante com nossa autoestima, com nossa autoimagem. Uma pessoa com problemas de autoestima pode se meter em muitas roubadas afetivas. Pouco amor por si mesmo pode criar obstáculos para o processo de amar o outro. O tempo todo estamos projetando a nós mesmos e os nossos desejos no outro, se isso sofrer alguma interferência da sua baixa autoestima, acredite, vamos ter sérios problemas.


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Não conseguir se relacionar afetivamente, ter o que chamam de “pouca sorte no amor” ou o famoso “dedo podre” pode ser um sintoma de pouco amor por si mesmo – e essa é a hora de procurar psicoterapia.

O dia doze próximo é um dia como outro qualquer, e nesse ano, deve passar em branco por conta “da pátria de chuteiras”. Então aproveite, deixe que ele se vá e enquanto isso perca o medo de nascer e de amar. Siga o conselho de todos os grandes profetas: ame! Nós estamos aqui apenas para isso”.

“Ai daqueles


que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga


ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer


não porque não tem asa.”

(Paulo Leminski)

O amor é cego, surdo e desorienta o bom senso!

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