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Paredão de rocha despenca, atinge lanchas em Capitólio (MG) e deixa ao menos seis mortos; veja vídeo

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Um deslizamento de parte de um cânion atingiu, na manhã deste sábado, três lanchas que estavam no lago de Furnas, no município mineiro de Capitólio, a cerca de 280 km da capital Belo Horizonte. A Marinha informou que vai investigar o acidente, que matou pelo menos seis pessoas, cujas identidades ainda não foram reveladas, e deixou mais de 30 feridos, conforme o Corpo de Bombeiros. A estimativa é de que cerca de 20 pessoas estejam desaparecidas.

Segundo a corporação, até as 18h30 deste sábado, 23 feridos foram atendidos na Santa Casa de Capitólio e liberados. Duas pessoas que tiveram fraturas expostas estão internadas na Santa Casa de Piumhi. Outras duas vítimas estão na Santa de Casa de Passos, em estado estável, e mais quatro com ferimentos leves já foram liberadas da Santa Casa de São João da Barra.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver o momento em que um dos cânions cede e atinge as embarcações. Duas delas, de nome EDL e Jesus, sofreram impacto direto. Delas, foram resgatadas ao todo 24 pessoas com vida. Em outras duas lanchas atingidas indiretamente, foram socorridas no total 18 tripulantes.

Imagens gravadas mostram as embarcações fugindo do local após o desabamento. Nas filmagens, consegue-se ouvir gritos e o desespero das pessoas.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 12h deste sábado. Segundo a corporação, a princípio, uma tromba d’água provocou a queda de pedras que atingiram ao menos três lanchas que estavam na região.

Além do Batalhão de Operações Aéreas, mergulhadores atuavam no local. Mais de 40 militares estão na região, e uma aeronave realiza buscas. Peritos Criminais da Polícia Civil também foram enviados para identificar os danos e as causas do acidente. O Médico-Legista de Passos irá iniciar a necropsia das vítimas fatais.

A Marinha informou em nota que tomou conhecimento do acidente no fim da manhã e que a Delegacia Fluvial de Furnas deslocou imediatamente equipes de Busca e Salvamento (SAR) para o local “a fim de prestar o apoio necessário às tripulações envolvidas no acidente, no transporte de feridos para a Santa Casa de Capitólio, e no auxílio aos outros órgãos”. Disse ainda que será instaurado um inquérito para apurar as causas e circunstâncias do acidente.

Queda perpendicular

Segundo o geólogo Fábio Braz, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG), as rochas na região do acidente são formadas por blocos de quartzito, nos quais as rachaduras são profundas e estáveis. Ao contrário do que ocorre nas falhas geológicas, explica, não existe movimentação de um bloco em relação a outro nas fraturas.

— A água em excesso percola essas fraturas e vai aumentar o peso do bloco, da rocha. Com essas chuvas intensas, o bloco se desprendeu. Então, aumentou o peso daquele bloco e penetrou pelas fraturas. O fraturamento lá é tipicamente vertical. É possível ver que cai em uma forma de torre. Primeiro, a estrutura da base entra em colapso e depois há o tombamento do bloco — disse Braz ao GLOBO.

De acordo com o geólogo, em locais com essas formações rochosas deve-se evitar a aproximação do paredão e, em caso de chuva, as atividades têm de ser suspensas.

— Ninguém está falando em suspender o turismo em Capitólio. Mas, se não tivesse aquela atividade naquela área, poderia ter ocorrido essa queda de bloco e a gente nem ficaria sabendo.

Em entrevista à GloboNews, o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de MG, explicou que o agravamento da situação se deve à queda da rocha em trajetória perpendicular, além de seu tamanho.

— Geralmente, quando a gente tem esse tipo de estrutura, de ruptura, geralmente a rocha sai de uma forma mais fatiada. Ela escorre por aquela estrutura e cai de uma forma ou diagonal ou até mesmo em pé. Nesse caso, como a gente teve esse tombamento perpendicular e pelo tamanho da rocha, acabou tendo essas pessoas diretamente afetadas — disse o tenente.

‘Dor de uma tragédia’

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, se manifestou por meio das redes sociais e se solidarizou com as famílias das vítimas.

“Sofremos hoje a dor de uma tragédia em nosso Estado, devido às fortes chuvas, que provocaram o desprendimento de um paredão de pedras no lago de Furnas, em Capitólio. O Governo de Minas está presente desde os primeiros momentos através da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Os trabalhos de resgate ainda estão em andamento. Solidarizo com as famílias neste difícil momento. Seguiremos atuando para fornecer o apoio e amparo necessários”, escreveu.

Em entrevista à GloboNews, o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de MG, explicou que a formação do local é de rochas sedimentares e, portanto, mais suscetíveis à ação do vento e das chuvas.

— Infelizmente, é uma situação que costuma acontecer numa região de cânions. Mas a rocha que se desprendeu foi de um tamanho muito considerável — disse o tenente. — O que acabou agravando a situação foi a forma como a rocha cai, numa trajetória perpendicular. Geralmente, quando a gente tem esse tipo de estrutura, de ruptura, geralmente a rocha sai de uma forma mais fatiada. Ela escorre por aquela estrutura e cai de uma forma ou diagonal ou até mesmo em pé. Nesse caso, como a gente teve esse tombamento perpendicular e pelo tamanho da rocha, acabou tendo essas pessoas diretamente afetadas.

Local de turismo

O Lago de Furnas, com mais de 1.400 quilômetros quadrados de área, atrai vários turistas que buscam passeios de lancha e mergulhos na região, cercada por cachoeiras e cânions formados por rochas com mais de 20 metros de altura. Lanchas podem ser alugadas por cerca de R$ 2.000 para grupos de oito a dez pessoas. Agências de turismo também oferecem opções de passeios em embarcações guiadas. Em geral, eles duram entre três a sete horas.

No lago, só é permitido mergulhar nos pontos onde há os chamados bares flutuantes. A medida foi tomada para proteger banhistas em áreas com circulação de lanchas. No local do acidente, os mergulhos são proibidos.

Segundo agências de turismo, o local é visado sobretudo por turistas do estado São Paulo e da capital mineira.

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