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A parte que falta em mim…

A parte que falta em mim

A parte que falta em mim pode ser o outro. Fechamos os olhos bem fechados e de mãos dadas abrimos o nosso coração esperando o amor acontecer. E então achamos que vamos escutar o que o nosso coração vai dizer.



Não dá para escapar, afinal somos o bom e velho ser humano de todo dia. Temos essa necessidade de pertencimento. Temos essa ideia e necessidade de preencher a parte que falta e assim, de repente, a gente pode se entender melhor. Por que? Porque no outro, como espelho, achamos que as nossas mais profundas caraminholas ao se encontrarem com as caraminholas todas da parte que escolhemos como aquela que nos faltava, vai nos dar aquele entendimento profundo de quem somos e o que somos que tanto ansiamos e que está lá no fundo do mais fundo da nossa programação como seres humanos.

Mas vou confessar: isso dá uma gastura danada! Só de escrever sobre isso já fico muito, muito cansada. E o pior é que tenho a impressão de que não sou só eu não. A verdade é que de uma forma ou de outra, isso está sempre na nossa agenda, todos os dias. Em boa parte dos dias, faça sol ou chuva. Está lá.

Quando um vídeo viraliza sobre o assunto, como o da Jout Jout nessa última semana, a gente pode até fechar os olhos e os ouvidos para o assunto, mas acontece que, há forte suspeita de que sempre vai ter a parte que falta.


Como lidar com isso? Porque já sabemos que não dá para se livrar desse sentimento e da ansiedade que isso dá, mesmo que para muitos isso passe despercebido.

Então vamos olhar um pouco diferente essa coisa da parte que falta. Quando li o livro o que pensei foi: se a gente passa tanto tempo em volta da busca pela parte que falta e se joga em tanta aventura e em tantos braços para depois se dar conta que não era essa a parte que falta, de repente a parte que falta ou está na gente encontrar dentro da gente mesmo ou, a parte que falta, na verdade, é o que nos faz sensíveis para perceber e aproveitar esse universo maravilhoso e mágico do qual fazemos parte e estamos mergulhados sem outra opção.

Não seremos nós a parte que falta acordar nesse mundo que fazemos parte?

Uma mudança de perspectiva. Somos a parte que falta quando andamos por aí procurando o que nos falta quando o que nos falta é a consciência de que somos parte de algo maior e essa compreensão nos dá o preenchimento daquilo que achamos que antes tínhamos em falta.


De repente, o melhor está na companhia da borboletinha que não nos pede nada, apenas oferece a sua companhia. De repente, é esse caminho cheio de curvas, de pedras, de flores perfumadas, de ruas agitadas, desse som do mar ao entardecer, da brisa suave que nos acorda pela manhã, o brilho das estrelas durante as noites sem lua que é o melhor da vida.

De repente, cair no buraco seja necessário e usar isso para refletir nossas escolhas, agradecer pelo passado que já foi e planejar o futuro com mais sabedoria e com menos preocupação em saber se vai dar certo, e sim, aproveitar essa oportunidade que é a vida. Descobrir que para sair do buraco, às vezes, teremos ajuda, mas outras vezes a ajuda estará em nós mesmos. Porque tudo o que precisamos está em nós.

Assusta um pouquinho, mas será que estamos preparados para responder sobre a parte que nos falta?

E, essa ainda é mais difícil: se encontrar a parte que você acha que falta, o que vai fazer com ela? Eu me preocupo ainda mais com a borboletinha. Céus! Fico a meditar sobre a borboletinha. O que é ou quem é a borboletinha na minha vida? E na sua? Quem é o besouro que o acompanha e que em algumas horas você o vence e em outras ele lhe passa?


Estou deixando ir com amor o que precisa ser liberado, de modo que eu possa  avançar para algo mais significativo para mim.

Essa é parte que, não sei se falta ou não em mim, mas é parte da minha vida que preciso refletir hoje.



Direitos autorais da imagem de capa: Anastasiya Lobanovskaya from Pexels

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