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“Pastora do Diabo”: livro conta a história de práticas satânicas e seita criada por Flordelis

Foto: Reprodução
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Conhecida pelo comportamento altruísta, a pastora e ex-deputada federal Flordelis passou anos convencendo a população de sua bondade.

Ao longo de quase três décadas, a pastora Flordelis ficou conhecida no país depois de adotar várias crianças de regiões periféricas e em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro. Uma das histórias mais contadas incluía a versão de que tinha adotado 37 crianças sobreviventes de uma chacina na estação Central do Brasil, em 12 de setembro de 1994.

Toda a narrativa de bondade e altruísmo acabou se desmantelando quando o assassinato do marido Anderson do Carmo, em junho de 2019, chamou a atenção da mídia. O também pastor foi executado por volta das 4 horas, em Niterói, depois de chegar em casa de carro. As circunstâncias foram consideradas suspeitas, e dois dias depois um dos filhos adotados do casal, Lucas dos Santos Carmo, de 18 anos, foi a público informar que era um dos responsáveis pelo crime, e que um dos mandantes era Flávio dos Santos, enteado do pastor.

Imagens de câmeras de segurança colocavam Lucas no local do crime, e ele acabou explicando que foi justamente isso que fez com que acabasse confessando os disparos, também incriminando Flávio. Existem teorias de que Anderson teria sido assassinado por manter uma relação extraconjugal, mas outra linha de investigação defende que motivações financeiras podem ter sido o estopim de um desentendimento grave.

Livro e aprofundamento em história familiar

O jornalista Ulisses Campbell vai lançar em agosto deste ano a obra “Flordelis: A Pastora do Diabo”, obra que promete contar detalhes da convivência familiar, além de revelar segredos que muitos sequer imaginavam. De acordo com o autor, que fez uma pesquisa aprofundada segundo reportagem do UOL, em arquivos de jornais do Rio de Janeiro e da polícia, nunca existiu uma chacina em setembro de 1994.

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Capa do livro que será lançado em agosto – Direitos autorais: Reprodução/ Divulgação

Um de seus maiores orgulhos, a adoção de 37 crianças que sobreviveram à chacina, de acordo com Campbell, é uma mentira contada por Flordelis, que se orgulhava de ser mãe de 55 jovens, sendo inclusive sua descrição na biografia do Instagram. Mas os filhos iam e vinham, e o livro ainda mostra que muitos não tinham sido “achados”, como ela dizia, mas sim roubados de suas próprias mães.

Campbell costurou sua narrativa com o apoio de entrevistas que realizou com os três irmãos e a mãe de Flordelis, além de alguns filhos e o atual namorado, Allan Soares. Segundo o autor, foi preciso também estudar sobre os preceitos satânicos, já que a pastora e o marido Anderson realizavam rituais junto com os filhos, em alguns utilizando sexo, esperma e até mesmo sangue.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @flordeliscantora

Para o jornalista, Flordelis era uma mulher cheia de boas intenções quando começou a realizar trabalhos sociais, ajudando crianças a saírem das ruas e do tráfico. Tudo acabou mudando drasticamente quando conheceu, em 1991, Anderson do Carmo, que acabou se tornando seu marido. Na época, ele mantinha um relacionamento com Simone, filha biológica da pastora, mas acabou se envolvendo com a mãe da namorada.

Eles oficializaram a união em 1994, mesma época em que Flordelis passou a alimentar a ideia de que se tornaria “mãe de 50 filhos”, enquanto Anderson afirmava que os dois seriam “pais do Brasil”. A caridade acabou fazendo com que ficassem em evidência, e ela fundou um ministério, se tornou cantora gospel de sucesso e ainda foi a mulher mais votada do Rio de Janeiro para deputada federal em 2018.

Seita e cultos satânicos

Segundo Campbell, Flordelis e Anderson “louvavam o demônio”, e a casa acabava funcionando como uma seita. O casal seguia ritos do livro “São Cipriano, o Bruxo”, e ainda reforçavam que era preciso existir uma troca de energia entre as pessoas que moravam juntas, e que a melhor forma era através do sexo.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @flordeliscantora

O autor defende que um dos motivos que podem ter levado Flordelis a ser uma provável mandante do crime foi para se ver livre dos abusos e do controle de Anderson. Mesmo depois de ter alcançado o sucesso na carreira, ele controlava o dinheiro e comandava tudo, o que incomodava a pastora.

Atualmente, Flordelis está em prisão preventiva no Complexo Penitenciário de Bangu, onde realiza cultos, autografa bíblias e ainda é protegida por uma líder do local. A mãe, Carmosina, de 89 anos, e a prima Laudicéia, de 70 anos, são as únicas que a visitam até agora no presídio Talavera Bruce. O julgamento está marcado para o dia 6 de junho, e em abril quatro pessoas já foram condenadas pelo caso. Adriano dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis, Carlos Ubiraci Francisco da Silva, filho afetivo, Marcos Siqueira Costa, ex-policial militar, e sua esposa, Andrea Santos Maia.

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