Comportamento

Médica de UTI pediátrica contra covid relata o quanto é doloroso perder crianças: “Desastroso”

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A pediatra Maria Célia Santos conta como a morte de crianças machuca e entristece toda a equipe de saúde. 400 crianças foram internadas pelo novo coronavírus na UTI pediátrica contra a covid, no Hospital da Mulher, em Maceió.



A luta contra a covid-19 está sendo bem complicada, principalmente para os que estão na linha de frente. Como é uma doença nova, com poucos estudos, a gravidade muda de pessoa para pessoa e não há um padrão bem estabelecido da evolução da doença.

A profissional de 40 anos deu informações ao UOL e relatou que o Hospital da Mulher, unidade em que trabalha, é referência para atendimentos a crianças com a forma mais grave de covid-19, em Alagoas.

Maria Célia conta que dá três plantões por semana e isso a faz conhecer cada um dos pacientes que dão entrada por lá. Ela disse que estão com 8 internados, e apenas duas vagas disponíveis na UTI.


Mesmo que as crianças sejam mais resistentes, as perdas machucam toda a equipe. A mortalidade na ala pediátrica é de 0,5% contra 35% das alas de covid para adultos, de acordo com as informações do projeto UTIs Brasileiras.

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Direitos autorais: Marcel Vital/Hospital da Mulher.

Ela declara que desde quando o hospital foi aberto, registraram 8 óbitos infantis. Relatou que nunca esperam que aconteça, porque a morte de uma criança é desastrosa.

Conta que não é uma tarefa fácil cuidar de pacientes tão novos que sofrem de covid-19. É desafiador tratá-las, mas a equipe tem se superado e aprendido bastante.


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Direitos autorais: Marcel Vital/Hospital da Mulher

Afirma que estão com muitos casos graves para tratar. Mesmo que a porcentagem seja pequena de crianças que evoluem muito rápido, os casos estão disparando. Se os pequenos pacientes tiverem uma comorbidade, por exemplo um câncer, neuropatias ou cardiopatias, o vírus agride muito mais o corpo.

A médica diz ainda que o cenário do ano passado para agora mudou por completo. Anteriormente, muitas crianças que se internavam tinham os estes negativos, hoje em dia quase 100% das que chegam como casos suspeitos tem o exame positivo.

Quando o vírus contamina a criança, ele causa um estrago menor em comparação com os adultos. Ele só se torna extremamente danoso quando há alguma comorbidade. Elas então evoluem muito rápido, indo de estado grave para gravíssimo em pouco tempo. O microrganismo agride vários órgãos de uma vez, desencadeando uma síndrome inflamatória multisistêmica.


Na área pediátrica, a perda é muito complicada por estarem trabalhando com crianças. Elas não são feitas para morrer. Segundo a pediatra, é diferente quando lidam com idosos, que já passaram por uma vida inteira.

Por isso, não esperam e nem querem perder as crianças. É desastroso e triste para todos da equipe, pois o seu legado é de salvar vidas, concluiu.

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