Perdi a conta de quantas vezes eu me reinventei. É que “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante…”



Afinal, o que é reinventar-se? É mudar alguma coisa em nós mesmos fisicamente ou psicologicamente? Significa mudar o visual? Cuidar da saúde? Mudar de emprego ou de namorado?

Reinventar-se pode significar realmente tudo isso, mas antes de qualquer coisa, é algo que acontece de dentro para fora. A decisão e a escolha de transformar-se de alguma forma é o primeiro passo para o tal reinventar-se.

O verbo inventar significa criar algo que ainda não existe. Portanto o verbo reinventar significa criar algo que já existe de uma nova forma. É possível nos criarmos de uma nova maneira? Sim. Não é um processo que acontece de um dia para o outro ou em poucas horas como depois um tempo num salão de beleza ou após um banho de loja.

O olhar para si mesmo e se dar conta de como somos positivamente e negativamente, nos permite a escolha de potencializar o que temos de bom e de trabalharmos o que possuímos de ruim. Isso vale para nossas características tanto quanto para nossas histórias.

Se eu percebo que sou uma pessoa preguiçosa, posso, a partir daí, começar a traçar planos para melhorar essa característica através de atividades corriqueiras que antes deixava de fazer devido à preguiça. Se sou uma pessoa ressentida, irei aprender a olhar para as mágoas que carrego e começar a trabalhar a forma como olho para elas.

É impossível mudar o passado, mas é perfeitamente possível alterar a forma como se olha para ele e assim transformar o que sentimos quando pensamos no que já se foi.

É claro que o reinventar-se é mais fácil quando já existe maturidade e positividade. Mas ambas as coisas também são trabalhadas e adquiridas intensamente num processo de auto reinvento.

Há muitos anos atrás disse para um amigo: “Não quero ser aquele tipo de pessoa, que a gente encontra de dois em dois anos, ou de cinco em cinco anos, pergunta: “Tudo bem?” E a pessoa está ainda reclamando das mesmas coisas que da última vez”. Naquele instante em meu passado, eu tomei a decisão de ser uma pessoa de constantes reinventos de mim mesma. Se eu não me sentia bem no trabalho, mudava. Se não gostava de alguém, deixava a pessoa. Queria uma cidade nova, buscava. E assim por diante.



Não é fácil mudar. Toda mudança exige coragem e necessidade de uma nova adaptação. Mas toda mudança também traz riquezas de variadas formas: aprendizado, novas oportunidades, crescimento e maturidade.

Não digo aqui que devemos abandonar tudo e todos que nos incomodam. Há de se saber a diferença entre o fugir de uma situação difícil e o sair de uma situação estagnada e sem qualquer proveito.

O segredo e a chave para o reinventar-se está no autoconhecimento, no olhar para dentro: quem sou eu? Como sou? O que está bom? O que está ruim? Como quero ser? Como posso ser mais feliz? O que me incomoda hoje? Onde quero estar no futuro? E de que forma?

Eu perdi a conta de quantas vezes me reinventei. Percebo que com o passar do tempo os processos de reinventar-me tornaram-se mais frequentes, mais rápidos e mais efetivos. E com a aceitação das dificuldades iniciais que esses processos causam, também tornam essa parte bem mais curta. Já cantava Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Eu ainda não sei quantas Carolinas eu ainda hei de ser. Nem sei nem quantas foram. Mas fico feliz de estar fazendo minha lição de casa. Pois a vida está aí para ser vivida e aprendida.

E no fim das contas não é a vida que muda, mas nós é que mudamos o que somos e alteramos a vida que escolhemos viver. Reinvente-se sempre!


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