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Perdoar é um ato de amor-próprio

Nos últimos dias, tenho participado de várias entrevistas, cuja temática principal é como perdoar em tempos de tantas injustiças, e com várias perguntas brilhantes dos jornalistas, estou refletindo mais sobre o quanto o  autoperdão e o perdão são fundamentais para que sejamos realmente merecedores da vida que tanto queremos ter.



E este tema fascina, porque a maioria das pessoas fica imaginando que perdoar vai ser bom para quem ofendeu, mas a grande verdade é que perdoar é transformador para quem perdoa.

A pessoa que consegue se livrar do ressentimento se torna mais bela por dentro e por fora, o semblante fica mais leve e a presença muito mais agradável.

Outro mito sobre o perdão é achar que para perdoar você tem que esquecer a ofensa. Para o nosso cérebro, isso é impossível, pois sempre haverá uma marca de tudo que lhe aconteceu na vida, consciente ou inconscientemente.

Perdoar está muito além do esquecer, é você não querer o mal da outra pessoa, e, melhor do que isso, desejar o bem para ela, conseguir rezar por ela, pedir bênçãos para a vida dela.


Quando você consegue lembrar da ofensa, mas não a sentir mais a dor, aí sim, você pode dizer que conseguiu perdoar.

Você não precisa se tornar amigo do outro, mas deve rebater cada injúria com um desejo sincero de paz e prosperidade para ele.

Perdoar, muito mais que um ato de misericórdia, é um ato de amor-próprio, de autoestima. Quem se ama e se valoriza sabe muito bem que não merece viver com o lixo da raiva dominando seus pensamentos e atitudes, e corroendo a sua saúde.

Quem é inteligente, logo que começa a perceber um sentimento de rancor a lhe rondar, já se predispõe a perdoar, a desapegar-se da experiência negativa vivenciada, colocando o passado no seu devido lugar – no passado -, e situando-se no presente, no aqui e agora.


O perdão deve ser um exercício diário, porque no estágio evolutivo em que vivemos, ainda é comum sermos atacados por aqueles que nos querem mal ou nos invejam e a melhor arma para não sermos atingidos e prejudicados é estar sempre preparados para perdoar. Tire de seu coração a inflexibilidade e pare de declarar que tal ou qual ato é imperdoável, que se isso ou aquilo acontecesse em sua vida, você não perdoaria, etc. Isso é tolice e só faz com que você se sinta despreparado para os golpes e decepções da existência.

Lembre-se de que sentir ódio ou mágoa (palavra que disfarça a verdadeira força devastadora do ódio), é entregar-se às doenças e às misérias, porque esse sentimento é capaz de desequilibrar todas as áreas de sua vida.

Se algo não anda bem com você, é hora de se perguntar a quem você precisa perdoar.

A partir do momento em que você toma consciência da necessidade de se perdoar pelos seus deslizes e perdoar àqueles que fazem parte da sua história de dores e desilusões, o caminho mais fácil para se chegar ao perdão é não julgar mais e aprender a se colocar no lugar do outro, praticando a compaixão. Difícil, bem o sei, mas perfeitamente possível e altamente libertador!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: annazheludkova / 123RF Imagens

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