Pessoas inspiradoras

Pernambucana que sofreu violência doméstica e perdeu dois filhos vence depressão e abre restaurante!

Dona Lia teve uma trajetória de vida complexa, cheia de provações que fizeram com que, em muitos momentos, duvidasse de si mesma.



Cada pessoa tem uma história, uma narrativa própria, que torna tudo o que faz ainda mais bonito e diferente. A beleza humana está, justamente, em admirar todos os aspectos que nos tornam únicos e tão difíceis de se compreender. Nem todos conseguiriam viver na pele do outro, cada um tem as próprias dificuldades a enfrentar, “a própria cruz para carregar”.

A cozinheira Maria Auxiliadora, de 65 anos, sabe muito bem o que é ter uma história difícil de ser compartilhada e mais ainda difícil de ser compreendida. Assim que perdeu os pais, há alguns anos, a senhora decidiu mudar a própria vida e, para contornar a depressão que estava vivendo, optou por abrir um restaurante no quintal da própria casa, ao qual deu o nome de Memorial do Cuscuz e da Tapioca.

Se você achou difícil o fato de ela ter perdido os pais, saiba que essa é apenas a pontinha do iceberg. Dona Lia não teve uma vida tranquila no passado e precisou enfrentar momentos de profunda tristeza, precisando tomar uma decisão.


Ela teve seis filhos enquanto era casada, mas a família passou muita fome, já que o marido gastava o pouco dinheiro que tinham com o consumo de álcool. Além de precisar lidar com o alcoolismo do antigo marido, dona Lia também viu partir dois dos seus filhos, um de 8 meses e outro de 12 anos, além de passar pela violência doméstica.

Vendo que os outros filhos passavam fome, ela decidiu começar a fazer a receita de cuscuz que havia aprendido com a avó ainda na infância para complementar a renda.

Lia aprendeu desde muito nova a pegar no pesado, e o trabalho sempre fez parte da sua rotina. Enquanto ainda morava com os pais, trabalhava com eles na roça, e foi ali também que aprendeu grande parte das receitas de família, como o cuscuz, que sua avó e sua mãe faziam. Ela se casou com 19 anos, quando foi morar em Recife, com o companheiro.

Acreditava que o casamento e a mudança de cidade lhes trariam mais oportunidades e que a vida poderia mudar drasticamente. Foi quando dona Lia descobriu que o marido gastava o salário com coisas supérfluas ao invés de levar para a família, que só foi aumentando com o tempo.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@lia_memorial_do_cuscuz.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@lia_memorial_do_cuscuz.

Começou a fazer as receitas da avó para vender e saía com os filhos pelas ruas da cidade para vender o máximo que conseguisse, mas também trabalhava como faxineira e lavava roupas, tudo para dar uma vida melhor aos filhos.

Quando completou 33 anos, sabia que aquela vida não era a que merecia, muito menos os filhos inocentes, e decidiu se separar. Cerca de sete anos depois, dona Lia voltou para a Paraíba para cuidar dos pais, pois estavam doentes.


Com menos de três anos de diferença, os pais faleceram, o que impactou profundamente a vida da filha, que acabou desenvolvendo depressão profunda. Uma amiga a incentivou a participar de grupos que algumas empresas ofereciam para pessoas idosas, e lá conheceu o curso Café na Varanda.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@lia_memorial_do_cuscuz.

Foi quando tudo mudou na vida de Lia, que aprendeu inúmeras formas de vender seus produtos, tornando-se uma verdadeira empreendedora.

Maria Auxiliadora abriu o restaurante Memorial do Cuscuz e da Tapioca, onde cozinha alimentos que remetem às suas raízes e às mulheres que lhe ensinaram tudo que sabe. Hoje ela é chamada de Dona Lia do Cuscuz, e faz sucesso na sua região!



Se você presenciar um episódio de violência contra a mulher ou for vítima de um deles, denuncie o quanto antes através do número 180, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.

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