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Persistência: será que tem limites?

PERSISTÊNCIA capa e dentro

Você acha a persistência importante? Ela pode atrapalhar ou até mesmo prejudicar? Às vezes sim…



Conheci pessoas que simplesmente deixaram de ser persistentes para se tornarem teimosas e inflexíveis; iniciavam seus projetos com imensa vontade e disposição, permaneciam focadas por todo o período empenhadas em alcançar seus objetivos independente do que fosse ou acontecesse… Mas, infelizmente, os resultados nunca chegavam. Passavam-se semanas, meses, e até anos e nada colhiam dos seus esforços, mas mesmo assim não desistiam de seus ideais.

Confesso que invejei suas posturas, devido a minha perseverança ser em doses bem, digamos “homeopáticas”, porém, depois de um tempo, comecei a perceber que o foco tinha se transformado em cruz, à vontade em teimosia, e a esperança em desespero.

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A partir daí, enxerguei que até mesmo a perseverança deve respeitar um limite: o bom senso. Às vezes devemos respeitar aquilo que está dando errado, rever trajetos, posturas e apostas; após essas análises, se ainda assim, os resultados não se “positivarem” talvez seja a hora de mudar de projeto. Sei que vindo de alguém que não tem no seu DNA muita persistência falar em desistir seria meio que já esperado… Mas com as experiências que vivenciei e que vi de perto por outras pessoas, com falências e depressões, acredito que nada mais justo do que se permitir recomeçar e reconhecer que aquele caminho não era o ideal, ou o mais rentável, ou, talvez, o perfeito para você.

A persistência é necessária, porém, adequada a essência de quem a tem e a o que se quer fazer; de nada adianta entrar de cabeça em projetos que sejam completamente alheios a sua verdade, a quem realmente é apostando somente porque, para outros, essa alternativa foi extremamente viável e recompensadora.

Claro que não estou falando que nos primeiros resultados negativos deva-se desistir e começar algo novo; apenas digo que se caso não consiga ver a saída é porque talvez esteja no caminho errado, e que esse não era o seu… ou ainda, que suor e lágrimas de nada adiantarão se a solução não estiver ao seu alcance.

Imagine-se em um grande barco, um transatlântico. Ele está afundando. Por mais que seu desejo seja o de ser socorrido, no fundo, você sabe que qualquer esforço que faça para salvar o navio será inútil visto sua fragilidade diante de tamanho problema. Então o que poderá fazer? Tentará reparar a causa que fez com que houvesse o naufrágio ou correrá para alcançar um bote para salvar sua vida? Sentará e esperará o navio ser engolido pela água ou pulará antes, tendo consciência que sabe nadar e que assim suas chances são muito maiores?


Por isso, gastar demasiada energia tentando resolver problemas que não estão sob sua “alçada” refletem uma perseverança desmedida e sem resultados; pode até mesmo virar fixação, fanatismo sendo que esse último apenas atrasa e engessa inovações e boas ideias. Analisar e extrair de suas habilidades o produto primordial de seus projetos o farão poupar tempo, potencializar suas estratégias e, assim, receber seus frutos sejam eles quais forem na medida de seu desempenho e trabalho.

Assim como no navio, saber de suas reais competências e pontos fortes ajudam na tomada rápida de decisões, coerentes com o resultado que se pretende obter; desperdiçar essas capacidades apenas porque persistência é o seu lema, é uma maneira desleal de se autossabotar e se frustrar.

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Respeitar seus limites, encarar sua personalidade como quesito estratégico para escolher com mais eficácia aquilo que se pretende, são algumas maneiras de estabelecer que sua persistência seja sustentada e abastecida não apenas por propósitos financeiros, mas, principalmente, pela soma do que você é, do que tem que fazer e com aquilo que ama fazer. Com esse aglomerado de premissas sua perseverança será mais uma mola propulsora que te levará por um navio seguro ao caminho certo.


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