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“Pertenço à seleção feminina.” Nadadora trans se defendeu de atletas que a acusam de ter vantagem

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Lia Thomas afirma que quer apenas mostrar às crianças e atletas trans que eles não estão sozinhos e que não precisam escolher entre o que são e o esporte que amam.

Com apenas 22 anos, Lia Thomas tem sido uma das nadadoras mais controversas dos Estados Unidos, suscitando o debate sobre o acesso de atletas transgênero aos esportes e competições oficiais. Em uma trajetória invejável, a jovem se tornou uma das nadadoras universitárias mais importantes do país.

Segundo reportagem da Sports Illustrated, Lia defende que quer apenas mostrar às crianças e aos atletas transgênero jovens que eles não precisam optar entre o que são e o esporte que amam, e que não estão sozinhos. Logo no primeiro ano na equipe feminina de natação de Penn, a atleta estabeleceu recordes na piscina, em competições na instituição e na Ivy League, ficando bem perto de ser uma das nadadoras universitárias mais importantes do país.

No dia 16 deste mês, uma das maiores competições da categoria da National Collegiate Athletic Association (NCAA) começa, e Thomas já é a favorita para ganhar provas de estilo livre no Campeonato de Natação e Mergulho da I Divisão Feminina. Mas sua principal ambição é competir nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris (França), e sonha em desafiar os recordes de Katie Ledecky.

Sem certeza do futuro, Lia afirma que gostaria de continuar competindo e nadando exatamente como quem é. Mas na imprensa tradicional, alguns atletas e políticos têm forçado a barra quanto à participação de trans em competições, incitando o debate sobre “justiça” no esporte. Em janeiro deste ano, Michael Phelps afirmou que é preciso um “campo de jogo equilibrado”, e o editor de Swimming World chegou a comparar a nadadora aos “atletas alimentados por doping da Alemanha Oriental e da China”.

2 Pertenco a selecao feminina Nadadora trans se defendeu de atletas que a acusam de ter vantagem

Direitos autorais: reprodução YouTube/ GMA

Constantemente vítima de transfobia, sua atuação no esporte é pauta de discussão frequente em sites conservadores e na Fox News. Frequentemente é chamada pelo nome morto de antes de sua transição, usado intencionalmente para envergonhá-lo. Jornais ainda ofereceram ao público detalhes sobre seus hábitos no vestiário feminino, fornecidos por uma companheira de equipe que não teve o nome revelado.

Assim como qualquer outra de sua equipe, Lia explica que é uma mulher e sempre se enxergou apenas como nadadora, fazendo o que gosta há muitos anos, entrando na água e dando o seu melhor. Mesmo assim, a quantidade de insultos que recebe diariamente nas redes sociais levou-a a desativar as mensagens do Instagram, para evitar qualquer menção ao seu nome na internet, e ainda pediu aos pais para não se envolverem.

Logo que começou a nadar em equipes femininas, alguns pais de alunos da Penn enviaram uma carta à NCAA pedindo que Thomas fosse considerada inelegível para as competições. Supostamente, alguns estudos mostravam que atletas trans tinham pés e mãos maiores, corações maiores, maior densidade óssea e capacidade pulmonar, e afirmavam que queriam proteger a “integridade do esporte feminino”.

Mesmo sem reposta da NCAA, a diretora atlética da Penn, Alanna Shanahan, enviou um e-mail para a equipe, informando que a escola está comprometida com o sucesso de todos os alunos, sendo um ambiente acolhedor e inclusivo. Caso os atletas estivessem chateados, poderiam utilizar “recursos disponíveis para eles”, como aconselhamento e serviços psicológicos da universidade.

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Vários pais, de maneira anônima, decidiram falar sobre o que pensam, e defendem que Lia está passando por um momento cruel, já que é um ser humano e merece ser tratado com respeito e dignidade, mas acreditam que não é transfóbico defender que ela nade com a equipe masculina, mesmo sendo uma mulher.

Inflexível em seus argumentos, Lia explica: não existe “meio apoio”, ou ela recebe apoio como mulher ou não, e faz questão de deixar claro que não é um homem. Por ser mulher, pertence ao time feminino, e que pessoas trans merecem o mesmo respeito que os outros atletas. Para ela, ser trans é uma “experiência incrível e linda”, sentindo-se ainda realmente engajada com as piscinas apenas depois da mudança.

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