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Perto e longe. Conceitos que se misturam…

Perto e longe…

Muitas vezes estamos ao lado de uma pessoa e nos sentimos a milhares de quilômetros de distância dela. Por outro lado, em alguns momentos, mesmo que separados por milhas e milhas, sentimos aquela pessoa especial ao nosso lado, como se fosse possível fechar os olhos e tocá-la, até mesmo ser invadida por seu perfume.



Se nos esforçamos, chegamos ao ápice de sermos agraciados com o seu timbre de voz. Indo um pouquinho mais além, imaginamos o que ela nos diria em determinados momentos. Com direito a trejeitos e vícios de linguagem. Mas logo depois vem a realidade.

O tempo não pára, segue seu curso, como se fosse um rio e nós remássemos ao contrário da maré, tentando, inutilmente, parar os ponteiros de um maldito relógio que funciona sem pilha, sem bateria, única e exclusivamente por conta própria.

E quando nos damos por conta, quando caímos no poço da realidade, voltamos a controlar nossa racionalidade, deixando em segundo plano a emoção, percebemos que tudo não passou de um sonho. De uma possibilidade remota que nos remete ao que não aconteceu. Por mais que a tenhamos veementemente desejado. E como a desejamos!


Abrimos os olhos e a saudade toma seu posto. Saudade do que está ao lado e perdemos nas distâncias e obstáculos impostos pela vida. Na longitude, que é infinitamente maior que gostaríamos. Saudade nasceu para ser suprimida e não sentida. Ela dói, machuca, fere, castiga.

Mas essa maldita saudade, não nos presenteia com a volta de alguém que se foi, com a presença de alguém que ainda está por aí, bem mais longe que deveria. Ou ainda, que gostaríamos.

É a eterna sensação de nos prepararmos para ir à rodoviária para dizer adeus e chegarmos cinco minutos depois do ônibus ter partido. Como? Que injusto! Mas assim como o motorista cumpriu com seu horário, a vida também não espera, não nos dá a oportunidade de uma prorrogação como tolerância, como bônus. Não se decide a vida nos pênaltis. Não é um DVD com seus extras no fim. Não é o primeiro livro de uma série que nos presenteia com o capítulo inicial da segunda obra.

E assim, nada como o hoje para que demonstrações de carinho e afeto sejam postas em prática. Pois como diz o poeta: “O tempo não para”. E não adianta depois, chorar ao som de Vinícius de Moraes, no volume máximo da vitrola, que tenta nos consolar inutilmente cantando: “E por falar em saudade, onde anda você? Onde andam os seus olhos, que a gente não vê? ”.


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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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