Comportamento

Pessoas com vitiligo e albinismo repudiam falas de Natália no BBB22

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O “Big Brother Brasil” deste ano já começou com algumas declarações polêmicas.

A sister Natália Deodato, de 22 anos, participante da vigésima segunda edição do reality show “Big Brother Brasil”, fez uma declaração polêmica que tem dominado as redes sociais e a televisão brasileira nos últimos dias. A modelo e designer de unhas afirmou, de forma equivocada, que as manchas claras causadas pelo vitiligo poderiam evoluir para a anomalia genética do albinismo.

A fala da modelo repercutiu, não só pela sua desinformação, mas também porque repúdio dos telespectadores com anomalias de pele como o da mineira, e que se sentiam representados pela sua participação no “BBB”, conforme o jornal Metrópoles, sobretudo porque foi a primeira participante com a condição de saúde em mais de duas décadas do programa.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de um milhão de brasileiros convivem com vitiligo.

O discurso de Natália indignou também alguns famosos, como o ator Samuel Sollar, de 24 anos, que é albino, e a digital influencer e modelo Larissa Sampaio, de 20 anos, com a mesma condição de pele que a sister.

Juntos, os dois gravaram e postaram um vídeo no Instagram explicando de forma didática as características das condições, além de apresentar informações detalhadas sobre cada uma delas, com o intuito de orientar o público com fatos verídicos.

Eles falam sobre as características dessas condições genéticas hereditárias, mostrando que, embora sejam semelhantes, há diferenças entre si. Explicam principalmente que, diferentemente da fala de Natália, uma pessoa com vitiligo não se torna albina, ou ao contrário.

Ainda conforme o post, a dupla informou que uma das principais diferenças entre o vitiligo e o albinismo pode ser encontrada no diagnóstico, isso porque são raríssimos os casos em que o vitiligo pode ser observado logo no nascimento, o que não acontece com o albinismo, que pode ser constatado já durante o parto, por meio da pele e dos ossos. Os dois artistas ainda ressaltaram que este último ainda pode interferir na saúde visual das pessoas, exigindo alguns cuidados e acompanhamentos específicos.

Vitiligo e albinismo

Conforme informações dispostas pelo Ministério da Educação, o vitiligo é uma doença crônica, que se caracteriza pelo aparecimento de manchas brancas na pele resultantes da perda do pigmento natural da pele, a melanina. O ministério, com informações da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), estima que mais de um milhão de brasileiros convivem com a doença.

Ainda conforme o órgão federal, é necessário procurar orientações médicas especializadas quando se trata de distúrbios na pele, porque pelo menos dez distúrbios dermatológicos são parecidos com vitiligo, então é importante obter o diagnóstico correto para que a pessoa seja tratada.

Já o albinismo, conforme dados do Ministério da Saúde, é um distúrbio genético caracterizado pela falta total ou parcial do pigmento responsável pela coloração da pele, pelos e olhos. O ministério ainda lista dois tipos dessa anomalia:

— Óculo-cutânea: afeta a pele, cabelos e olhos. Pela ausência de melanina, a exposição prolongada ao Sol pode provocar queimadura na pele, o que pode resultar em câncer de pele.

— Ocular: afeta exclusivamente os olhos, geralmente conjugando astigmatismo e hipermetropia, além de estrabismo e fotofobia (sensibilidade à luz).

Ainda não há números concretos da quantidade de pessoas com essa anomalia no Brasil, conforme informações dispostas no site da Câmara dos Deputados. Segundo confessa a diretora do Departamento de Saúde da Família do Ministério da Saúde, Renata Costa, há um déficit de informações sobre pessoas albinas no Brasil, por isso estima-se em pouco mais de 21 mil o número de brasileiros convivendo com essa anomalia genética.

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