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PM atira à queima-roupa com bala de borracha em mãe de suspeito em MG

Uma mulher negra foi baleada à queima-roupa por um policial militar que tentava prender seu filho na cidade de Passos, no sul de Minas Gerais, e precisou ser internada.



Um vídeo registrado por moradores mostra o tiro contra Célia Gomes. Segundo a Polícia Militar (PM) a bala era de borracha e o agente tentava prender o filho de Célia, identificado apenas como Vinicius, de 21 anos, por suspeito de participação em um crime de extorsão mediante sequestro.

A Polícia Militar afirmou ao UOL que, na sexta-feira (13), Vinicius levou um homem para receber R$ 5 mil das possíveis vítimas do crime de extorsão, mas que, após serem perseguidos pela PM, Vinicius tentou se esconder em sua casa.

A corporação afirma ainda que os familiares do rapaz, inclusive Célia, teriam tentado agredir os militares que estavam no local, tentando pegar as armas dos policiais.


A PM diz que três tiros de borracha foram efetuados para resguardar os militares das possíveis agressões. As imagens não mostram a mãe de Vinicius tentando agredir o militar. Ela se aproxima e, quando está perto, sofre o disparo. Depois, vai em direção a um homem, que seria o marido dela, e é amparada.

Um dos disparos da PM, atingiu a região abdominal de Célia. Ela foi levada à Santa Casa de Misericórdia de Passos. O hospital informou para a reportagem que ela passou por uma cirurgia devido ao ferimento e segue internada estável na enfermaria da unidade.

A Polícia Civil informou que ratificou a prisão de Vinicius e de outros três suspeitos que estavam envolvidos na ocorrência. “Eles poderão responder pelo crime de extorsão, sendo que um deles poderá responder, ainda, por porte ilegal de arma de fogo. Os suspeitos foram encaminhados ao sistema prisional, onde estão à disposição da justiça”, diz a nota da polícia.

A defesa dos suspeitos alegou à Polícia Militar que o caso não é de extorsão, mas de cobrança de dívidas.


Especialista vê despreparo

Luís Flávio Sapori, ex-Secretário Adjunto de Segurança Pública de Minas Gerais e atual docente na PUC-MG, disse ao UOL que o caso, a princípio, parece ser de despreparo policial devido ao uso da força excessiva.

“O uso da bala de borracha tem que fazer parte de uma escala progressiva da força. Nesse caso a situação sugere que a força foi excessiva e desnecessária, principalmente contra uma mulher”, diz Sapori.


O especialista em segurança pública também lembrou que a PM do estado de Minas Gerais já possui treinamentos para coibir esse tipo de erro. “Supõe que o policial tem capacidade técnica para lidar com suas próprias emoções e rechaçar reações de pessoas envolvidas com técnicas que estão no protocolo da corporação. A PM de MG tem um dos melhores treinamentos do Brasil, mas erros têm que ser apurados, corrigidos e punidos quando se identifica (os erros)”, afirma ele.

O uso de câmeras na farda policial é uma tecnologia que poderia beneficiar tanto a sociedade quanto os militares, defende Sapori, que recomenda a adoção desta tecnologia para todas as PMs do país.

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