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PM decide deixar carreira após acusar tenente-coronel de assédio e ameaças de morte e é exonerada

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A soldado afirmou que a decisão foi motivada por pressão sofrida dentro da corporação. Saiba mais!

A denuncia da soldado Jéssica Paulo do Nascimento, de 28 anos, em direção a um tenente-coronel por ameaças de morte e assédio sexual repercutiram bastante nas redes sociais nos últimos dias.

Em entrevista, ela comentou sobre o caso, e contou que decidiu abandonar a carreira na Polícia Militar após sofrer pressão na corporação devido ao grande alcance da denuncia. A exoneração da soldado aconteceu no dia 26 de maio.

Jéssica contou que tentou afastamento por abalo psicológico, mas que ouviu do médico da PM que “só lhe daria alguns dias se o comandante dela autorizasse”. A mulher também relatou que respondeu a pelo menos quatro advertências por dar entrevistas públicas sobre as denúncias, que foram baseadas em acontecimentos que se sucederam enquanto ela atuou na cidade de São Paulo, antes de ir para Praia Grande, no litoral do estado.

Por mais que afirme que deixar a corporação foi difícil, a soldado acredita que foi a melhor decisão e que, se ficasse, acabaria sendo expulsa, o que prejudicaria sua reputação. Ela também esclareceu que tem provas em texto e áudio de todas as suas justificativas para ter decidido decidir da carreira, e que as usará quando entrar com uma ação judicial contra o Estado.

Sobre as denúncias

Jéssica conta que as investidas do tenente-coronel Cássio Novaes tiveram início em 2018, assim que ele assumiu o comando do Batalhão da Zona Sul de São Paulo. Ele a conheceu em uma passagem pelas companhias e a chamou para sair quando ambos ficaram a sós.

A soldado negou o convite, explicando ao superior que era casa e tinha filhos. Segundo ela, após esse dia, sua vida “virou um inferno”, já que passou a ser vítima de “investidas sexuais” através de mensagens, áudios, além de humilhação na frente de colegas e sabotagens.

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Direitos autorais: G1 Santos

Para evitar manter contato com o tenente-coronel, Jéssica tirou licença de 2 anos, mas em março deste ano, quando precisou voltar ao trabalho, tudo recomeçou. Segundo ela, o superior conseguiu o seu número pessoal e começou a lhe mandar mensagens, prometendo que sustentaria os seus filhos, lhe daria uma promoção e a transferência para onde ela queria, o litoral paulista.

Jéssica, então, procurou um advogado, que lhe orientou a ver até onde Cássio iria. A soldado afirmou que ele chegou a ameaçá-la de estupro e morte. O comandante, em áudio, chegou a dizer-lhe que “não existe segredo entre dois, um tem que morrer” e “quem não tem problema na vida, está no cemitério”.

No início de abril deste ano, Jéssica formalizou uma denúncia na Corregedoria da PM, após perceber que estava sendo enganada pelo tenente-coronel, que prometeu que a levaria ao Departamento Pessoal para pedir sua transferência dela quando, Segundo ela, o DP estava fechado e ele queria levá-la a um hotel.

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Sidnei Henrique, advogado de defesa de Jéssica, ainda disse que pediu medidas protetivas para ela e a família à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, mas elas foram negadas. O advogado ainda teria pleiteado um pedido de prisão preventiva do comandante e a suspensão do porte e posse de arma dele.

Cássio acabou sendo afastado do comando do batalhão onde atuava. A investigação está sendo realizada pela Corregedoria da PM, sob segredo de Justiça.

A Polícia Militar afirmou, em nota, que assim que recebeu a denúncia da soldado, instaurou um inquérito policial militar para apurar os fatos. Também afirmou que o pedido de exoneração é de autonomia exclusiva de um policial militar e dentro dos trâmites administrativos legais.

Em relação às advertências à Jéssica, a corporação disse que quaisquer punições administrativas, quando aplicadas, seguem o rito legal e o direito constituído à ampla defesa preceituado no Regulamento Disciplinar da Policia Militar (RDPM).

Sobre o pedido de afastamento médico solicitado pela soldado, a Polícia Militar explicou que esse tipo de afastamento obedece critérios profissionais, e passa pela aprovação dos Conselhos de Medicina.

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