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PODEMOS DEIXAR VÁRIAS COISAS PARA AMANHÃ, MAS NÃO A NOSSA ENTREGA, O NOSSO SENTIMENTO…

Estava eu conectada na música que tocava no carro e de repente ela acabou, dedo no botão do “repeat” e começa de novo.


Bem, e a vida? Podemos dar “repeat” e voltar ao status anterior?

Aquele abraço que não foi dado, aquela palavra não pronunciada, o beijo que ficou para um outro dia, o cinema que não deu tempo e desmarcamos, as vezes até dá, apesar de sou partidária da filosofia de Heráclito que podemos entrar duas vezes num mesmo rio, mas não será o mesmo rio e nem seremos as mesmas pessoas.

Questiono-me muitas vezes, por que deixamos passar tantas oportunidades de viver, não de viver essa coisa conectada nas redes sociais e virtuais, oportunidades de estarmos juntos, de dar o beijo, o abraço, de dizer que sentiu saudades, de assistir aquele filme regado a pipoca e guaraná do tempo em que não havia a facilidade do Netflix, nem uma queixa por ter Netflix, até porque a facilidade dos filmes em casa e da pipoca de micro ondas também nos atrai e muito, mas saudosa do cineminha aos domingos com a turma.


Acho que não precisamos do “repeat”, precisamos do “start”, de ter aquele tempo que nós mesmos podemos nos dar, pra sentir a leveza do abraço, do beijo, do cinema, do teatro, da amizade, e até mesmo do simples contemplar o outro. Não deixar passar os momentos em que podíamos estar juntos, compartilhando aquela risada gostosa, a presença física, a conversa solta daqueles que nos são tão caros e preciosos.

Até porque de repente a finitude chega e não podemos dar o tão famoso “repeat” e começar tudo de novo.

O tempo é agora, hoje, em uma hora, no minuto, ou mesmo em um segundo em que piscamos os olhos. Podemos deixar várias coisas para o amanhã, mas não a nossa entrega, o nosso sentimento, porque as vezes é muito tarde para um start, ou mesmo para um repeat.






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