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Polícia prende mães das 7 crianças deixadas trancadas em casa tomada por lixo e sem água

A Polícia Civil informou, na manhã desta sexta-feira (2), que prendeu as duas jovens de 20 e 22 anos, mães das 7 crianças e irmãs da adolescente de 13 anos que foram resgatadas em junho abandonadas, com fome e presas na casa onde moravam na Zona Oeste de Macapá.



Durante a investigação, a Polícia chegou a ouvir as mães e testemunhas, e fazer diligências no local onde os menores foram resgatados. Elas foram indiciadas no dia 9 de junho pelos crimes de cárcere privado, abandono de incapaz e maus tratos.

A Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca), responsável pelas prisões, informou que vai falar sobre o trabalho ainda na manhã desta sexta-feira.

Os menores, com idades entre 3 e 13 anos, viviam na casa há cerca de um mês com as mães, e os pais são ausentes. O Conselho Tutelar fez a busca ativa dos pais e das avós das crianças. Entretanto, os familiares encontrados pelo órgão afirmaram que não poderiam ficar com os menores.


O resgate aconteceu no dia 4 de junho. As crianças foram alojadas em um abrigo e a adolescente foi para outra unidade de acolhimento. O delegado Ronaldo Entringe, da Dercca, falou na época do resgate sobre a condição em que os menores foram encontrados.

“A família estava aqui há aproximadamente um mês, sem condições mínimas de sobrevivência, de manter-se em condição de dignidade da pessoa. Não há menor condições de alguém permanecer nela com o mínimo de dignidade, não tem nem água. Como é que essas crianças sobreviviam aqui?”, argumentou o delegado.

A mãe da adolescente e avó das crianças também ficou de ser investigada em outro inquérito na Dercca.

Condições precárias


Direitos autorais: Conselho Tutelar/Divulgação

A casa em que estavam os menores era pequena. O Conselho Tutelar apurou que o local, antes de ser alugado como residência, era para funcionar como ponto de venda de açaí.

Na entrada, foi possível ver um cômodo sem móveis e com lixo espalhado pelo chão. Uma área era usada como quarto, tinha uma única cama para as 10 pessoas, uma pequena cômoda e um ventilador quebrado.

Nos fundos, a gravação mostra um banheiro com um vaso sanitário cheio de lixo. Não havia cozinha no imóvel. De acordo com o Conselho Tutelar, o local não tinha água encanada, nem itens para alimentação.


“A casa é bastante pequena, não tem água encanada, alimentos, geladeira, fogão e nem água para as crianças beberem. No momento em que nós entramos na casa nós conseguimos ver a realidade onde as crianças se encontravam, trancadas na casinha sem condições”, detalhou o conselheiro Helton Luiz, que participou do resgate.

Resgate

Direitos autorais: Conselho Tutelar/Divulgação

Denúncias anônimas levaram o Conselho Tutelar ao local. Como consequência do abandono e da falta de condições apropriadas, os menores estavam sujos, sem roupas, com fome e desidratados.


As crianças também apresentaram indícios de anemia e tinham feridas pelo corpo; segundo o conselho, uma das crianças é autista. Todos receberam atendimento médico em uma casa de saúde na sexta (4), dia em que foram resgatadas.

De acordo com o conselheiro Helton Luiz, a adolescente de 13 anos, que tomava conta dos menores, recebia instruções para fingir que tinha 17 anos de idade. Segundo a adolescente, as crianças que estavam com ela na casa são suas sobrinhas, filhas de duas de suas irmãs.

Segundo informações do Conselho Tutelar, não era a primeira vez que as mães deixavam os menores sob a responsabilidade da adolescente.

“As duas mães já faziam isso há alguns dias, deixavam a menina tomando conta das crianças. Ela tem 13 anos de idade, mas dizia ter 17 porque as irmãs estavam induzindo para que ela mentisse sobre a idade. Ela relatou ainda que essas crianças sempre ficavam trancadas”, detalhou o conselheiro.


Os menores devem permanecer nos abrigos até que sejam tomadas novas medidas.

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