Família

Policial atende a chamado, conhece 6 crianças órfãs e decide adotá-las: “Vínculo era muito forte”

O pai foi assassinado na frente das crianças, em 2018, tentando protegê-las. Entre as seis crianças encontradas no local, havia um bebê de 11 meses, neto do homem morto.



Ao mesmo tempo em que a adoção é um processo muito lindo de criação de unidade familiar, a pessoa adotada precisou antes passar por momentos dolorosos de abandono, sofrimento e falta de esperança. De um lado, o processo envolve crianças que perderam seus pais biológicos ou foram abandonadas ou retiradas do convívio dos genitores por razão de segurança e, de outro, adultos que não conseguem ter filhos biológicos.

Em muitos casos, logicamente, os adultos optam pela adoção, sabendo que existem crianças precisando de um lar, e se valem disso na constituição de uma família. Mas, na maioria das vezes, não é assim que funciona, sendo deixada como última opção, quando nenhuma das tentativas anteriores funcionou.

Para a policial civil Flaviana Bezerra, a maternidade veio de forma mais inusitada ainda, ou seja, enquanto atendia a um chamado de homicídio, em 2018. Segundo reportagem do G1, ela estava de plantão na Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), em Natal (RN), quando receberam um ocorrência em Parnamirim, às 22h. Um homem tinha sido assassinado na frente dos cinco filhos e um neto, de apenas 11 meses.


Assim que a equipe chegou ao local, uma mulher apareceu dizendo que as seis crianças estavam em uma casa ali perto, chorando porque temiam ser separadas pelo Conselho Tutelar. Estavam completamente órfãs porque, três anos antes, já tinham perdido a mãe, que lutava contra uma doença e morreu durante uma cirurgia.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Tentando compreender o que estava acontecendo e como poderia lidar com aquelas crianças da melhor maneira possível, Flaviana foi ao local onde elas moravam, mas levou um susto. Além de não ter nenhuma comida ali, ela conta que o local estava muito sujo, cheio de lixo, já que a família inteira trabalhava nas ruas, catando material reciclável.

Os policiais se comoveram muito com aquela situação e levaram as crianças para a casa de uma parente, que não tinha condições financeiras para cuidar dos seis, mas aceitou ficar com todos por algumas semanas. Flaviana pediu doações aos colegas de profissão por meio de um grupo de trabalho, em um aplicativo de mensagens e, com o dinheiro, ela comprou comida e levou aonde eles estavam.


O caso acabou tomando outras proporções, e muitos da cidade souberam do crime e das crianças órfãs, fazendo com que as doações aumentassem exponencialmente. Com aquele dinheiro, a policial percebeu que conseguiria pagar aluguel de uma boa casa para todos durante um ano, mas precisou entrar em contato com um promotor, já que a filha mais velha tinha 15 anos e o mais novo, 11 meses.

Flaviana relata que, assim que viu aquele dinheiro em sua conta, consultou o promotor para abrir uma conta em nome das crianças, mas como não tinham responsáveis, essa opção tornou-se inviável.

A policial então alugou uma casa e fez compras para que elas não passassem necessidades, uma parente apareceu para se responsabilizar pelas crianças, que foram matriculadas na escola. Com o tempo, a policial foi estreitando os laços com as crianças e se envolvendo emocionalmente com elas.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


A tia, até então responsável pelos sobrinhos, resolveu sair da cidade, mas eles precisavam de um cuidador ou seriam levados para um orfanato estadual. E os pensamentos sobre o futuro começaram a tomar conta de Flaviana. Ela sabia que os mais novos tinham chances de ser adotados, mas e os mais velhos?

Depois de muito ponderar, a policial decidiu adotar as crianças, e sempre soube que a escolha era para a vida toda. Sem nenhum sonho tradicional de casar e ter filhos, a adoção acabou sendo uma surpresa para todos, mas ela conta que sua família amou as crianças também e que o processo foi completo.

Mesmo tendo de ponderar entre a vida que levava antes e a atual, ela explica que não existe nada mais importante que as crianças em sua vida. A policial, que tem atualmente 45 anos, conseguiu a guarda de cinco crianças na segunda metade de 2019.

A mais velha, já prestes a completar 18 anos, optou por morar sozinha, e Flaviana adotou os demais, dois meninos de 2 e 11 anos, e três meninas, de 8, 13 e 16 anos. Um dos maiores sonhos da mãe é que a pandemia acabe, já que, por conta da sua profissão, precisa se manter isolada das crianças.


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