Por não saber ser sucinta, escrevo e reescrevo…

Meu forte nunca foi pintar, o que não fez com que eu deixasse de me apaixonar pelas cores. Não me atrevo a desenhar, mas isso não me afasta de gostar das formas. Nunca fui desportista, mas sempre apreciei a adrenalina.



Jamais fui beata e nem por isso repudiei da fé. Não sou a pessoa mais romântica do mundo, mas aprendi a amar antes mesmo de saber o quão complexo é o amor. Não sou chef de cozinha, mas sei preparar com meia dúzia de ingredientes uma refeição digna de elogios.

Não sou senhora da razão, mas em alguns momentos tenho propriedade para afirmar ter certeza. Não sou dona de todo o conhecimento, na verdade aprendo todo dia, o que não me impede de ensinar o pouco que sei. Já me perdi o mesmo tanto de vezes que me encontrei. Já me desgostei e me recriei. Já tive orgulho do que fui, mas jamais vergonha de algo não ser.

Julguei mais que deveria e fui julgada mais que gostaria. Caí e levantei. Escrevi pensando ser o melhor original e acabei rasgando a página. Rascunhei sem depois mudar uma única linha.

Acreditei cegamente no inimigo. Duvidei por tantas vezes dos que hoje são meus irmãos. Quebrei protocolos. Andei na linha com mais desenvoltura que achei que poderia. E me enredei. Da ponta do novelo que desenredei, fiz samba-enredo. Sem pisar na avenida uma única vez e nem por no dedo o tal do anel de bamba, sambei.


Plantei mudas de árvores as quais não reguei.

Escrevi tantas páginas que não publiquei. Ousei mais que me omiti. E, tentando acertar: errei. Por dúvida de onde colocar a crase, substitui artigos e escancarei nos argumentos.

Fui superlativa, por ser um tanto exagerada. Na história do menos é mais, esqueci que resumir evita transtornos.

A cacofonia nunca me pareceu soar desagradavelmente. Muito menos interessante, aos meus olhos e escrita, me parecem ser os diminutivos. E, dos textos à realidade, cruzei com pessoas que gostam de reduzir os outros para se firmarem como uma espécie de hipérbole.


Errei as contas, perdi as contas, contei carneirinhos nas várias noites de insônia. Cansei de tentar vencê-la. Fiz dela, minha companheira. Trocamos várias ideias, as quais aproveitei durante o outro dia.

Já meti o dedo no nariz, na ferida, na cara de quem despertou minha ira. Já me encolhi num canto qualquer por me sentir pequena. Já usei rasteirinha transparecendo calçar salto alto.

E, mais uma vez, tentei ser breve, por não saber nem ao certo o motivo que me levou a escrever.

E, novamente, me alonguei, chegando à conclusão que não nasci para ser sucinta.

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