Reflexão

Por que as pessoas estranham quando mães e filhos adultos são próximos?

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A quantidade de pessoas que estranham o relacionamento entre mãe e filho, principalmente quando ele já atingiu a idade adulta, mostra a necessidade de falarmos sobre afetos.

Costurando nossas relações em uma sociedade que nos cobra leveza, mas que, paradoxalmente, nos devolve a apatia, exercer a simples tarefa de aproveitar ao máximo cada momento com aqueles que amamos é um desafio. “Amar o próximo”, três palavras muito bem disseminadas, mas que encontram na própria rejeição uma barreira para existir.

Existe muita dificuldade para experienciar o amor, mesmo quando falamos de relações afetivas entre familiares, porque simplesmente, em muitas ocasiões, não existem possibilidades de exercer tudo aquilo o que é. Pode até parecer estranho, mas a realidade é que são muitas as pessoas que não conseguem viver de maneira livre os seus afetos porque não encontram um lugar na sociedade para isso.

As mães de homens adultos, por vezes, reconhecem essas barreiras sociais, principalmente quando têm um ótimo relacionamento com seus filhos. É quase como se não fosse permitido a elas bons momentos ao lado daqueles que geraram e criaram, pois muitos as colocam num local de pena e solidão.

Quando se analisa mais amplamente esse cenário, é possível compreender que as mulheres mais velhas encontram inúmeras barreiras, precisando ultrapassar não apenas as questões de gênero, mas também o idadismo, ou seja, o preconceito por conta da sua idade.

O reforço de estereótipos auxilia nesse processo. Se a mulher criou o filho sozinha e hoje mantém uma ótima relação com ele, frequentando vários lugares em sua companhia, as pessoas automaticamente se adiantam em dizer que ela transpõe os fracassos de suas relações amorosas obrigando-o a sair com ela. A tristeza na constatação de que aquela mulher sai com o próprio filho para esquecer que não tem um relacionamento pode acabar com a autoestima e até com o próprio afeto dela.

É problemático e sintomático destinar a uma mulher mais velha a posição de “abandonada”, de “bruxa”, de “chata” e “inconveniente”. A necessidade que a própria sociedade tem de deslegitimar e descaracterizar aquela pessoa surge no enfraquecimento que precisa existir em suas relações com as mulheres mais jovens.

Como vivemos numa sociedade patriarcal, é “natural” que a figura da mulher mais velha como alguém sábia e necessária na comunidade é totalmente minada, deturpada até se transformar em alguém que necessita de atenção, uma pessoa carente que não abre mão da relação próxima com o filho, colocando tudo em uma posição doentia.

É preciso tomar cuidado com os comentários, mesmo que de maneira inconsciente, para que as pessoas não se sintam prejudicadas e pressionadas a lidar com metas e ideais inatingíveis. Não é estranho que uma mãe tenha um relacionamento forte com seu filho adulto, o que devemos enxergar como anormal é que passemos a vida reforçando que esse tipo de afeto não pode existir.

Precisamos enfrentar de maneira prática determinadas questões, como o reforço de que mulheres, principalmente as mais velhas, não devem ser colocadas em posição de fera, de prejudicial ou de louca. Certo tipo de discernimento ao comentar assuntos que não são de sua alçada também é um bom começo, pois nem tudo que se diz é interessante o suficiente para ser reproduzido.

Alguns comentários servem apenas para que certas existências se tornem limitadas, sem conseguir simplesmente atingir a plenitude. Se você acha estranho mães terem bons relacionamentos com filhos adultos, talvez esteja na hora de rever seus pensamentos e mergulhar em seu interior em busca da simples resposta: qual é o meu problema?

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