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Por que as pessoas que amamos nos decepcionam?

Outro dia uma garota de 16 anos me disse: “Lucy, eu odeio o amor. Eu não acredito nele. As pessoas que amamos nos decepcionam e o mundo parece querer só tirar da gente, nunca dar o que precisamos”



Imediatamente comecei a pensar a respeito do significado da decepção e sobre o fato que, por quase a totalidade da minha vida, me decepcionei com situações e pessoas por os mais diversos motivos. Pensei nas tantas vezes em que eu disse:

“Eu só queria que Fulano fizesse tal coisa ou fosse de tal forma para o seu bem, seu crescimento, nossa felicidade; que tal coisa desse tal resultado porque seria bom para todos. Por que não faz assim? Eu já expliquei como eu quero. Afinal, o que há de errado com as pessoas?”

Então lembrei de uma passagem do livro O Pequeno Príncipe que narra o dia em que ele chegou ao planeta onde só existia um rei cujo manto cobria todo o planeta. Um rei que dizia reinar sobre tudo e que todas as suas ordens eram obedecidas, bastava ordenar.


Intrigado por não ver mais ninguém ali sobre quem reinar e desconfiado da real autoridade do monarca soberano sobre “todas as coisas”, o principezinho fez-lhe um pedido para ver um pôr-do-sol, uma de suas grandes paixões. A conversa foi assim:

“ – Eu desejava ver um pôr-do-sol… Fazei-me esse favor. Ordenai ao sol que se ponha…
– Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem – ele ou eu – estaria errado?
– Vós, respondeu com firmeza o principezinho.


– Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei.”

E assim é a lógica da vida, do amor e das relações, sejam elas do tipo que forem. Ao exigir do outro aquilo que não tem para dar, erramos. Em tempo, aprendi que o amor e as relações da vida devem ser pautadas no desapego e no respeito às limitações do outro; no acolhimento de cada um em nossas vidas pelas suas características reais e não aquelas que desejamos que tenham. Ao agirmos diferente disso, criamos a receita perfeita para a decepção.

Com isso não pretendo dizer que devemos permitir em nossas vidas pessoas e situações que nos são prejudiciais ou desfavoráveis. Pretendo dizer que é necessário fazer uma análise sensata, realista e generosa consigo e com aquilo ou aquele que você deseja em sua vida, sem que venha a lhe decepcionar.

Se ao analisar você entender que não pode lidar com as limitações que aquilo ou aquela pessoa apresenta, tire-a imediatamente de sua vida e siga em frente, lembrando que as expectativas irreais são suas e não promessas do outro. Saiba que, por vezes, o outro não entende sequer sua linha de raciocínio pelo simples fato que não faz parte de sua realidade ou capacidade.


Se entender que, mesmo com aquelas limitações ainda é possível ser feliz, abrace-a com a mesma compaixão que espera que tenham com suas próprias limitações e seja feliz, esperando receber dali somente aquilo que, REALMENTE, a situação ou o outro tem para dar.

Lucy Rocha

A incrível arte de pertencer a si mesmo!

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