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Por que calor de 40°C é considerado “mortal” na Inglaterra mas visto como normal no Brasil?

Foto: Pixabay
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Saiba mais sobre as diferenças climáticas entre o Brasil e o país europeu!

Quem tem acompanhado as notícias nos últimos dias estar a par da situação complicada que a Europa tem vivido por conta do calor. As temperaturas estão batendo recordes históricos em países do continente e deixando a população realmente preocupada.

No Reino Unido, a temperatura ultrapassou os 40° C. Em Portugal e na Espanha, o calor chegou a 46° C, o que além de ter causado a morte de mais mil pessoas, de acordo com autoridades de saúde de Portugal e Espanha, também tem cobrado um preço alto do meio ambiente, com diversos incêndios florestais acontecendo, sobrecarregando os serviços de emergência.

A situação está tão caótica que metade do território da União Europeia está atualmente em risco de seca. A falta de chuva e as altas temperaturas podem prejudicar os rendimentos agrícolas de alguns países.

Muitos brasileiros ao se depararem com essas notícias, vendo que os países estão sofrendo com 40° C, podem estranhar, já que em nosso território essas altas temperaturas são consideradas “normais”.

No entanto, a dificuldade dos europeus de lidarem com o calor não se trata de “frescura”, mas sim de uma diferença muito grande em como as altas temperaturas se apresentam em ambos os países.

Diferença entre o calor europeu e brasileiro

Em uma conversa com o UOL, o doutor em meteorologia e assistente científico da ETH Zurich (Instituto Federal de Tecnologia de Zurique), Lucas Ferreira, citou algumas razões pelas quais o calor “normal” do Brasil é considerado “moral” fora daqui.

Segundo o profissional, o calor na Europa é diferente porque é muito quente e seco, o que faz com que as pessoas percam o líquido do corpo com mais facilidade, favorecendo a desidratação e insolação. Em nosso país, apesar de transpirarmos muito por conta do calor, o o suor não evapora tanto, por isso não ficamos desidratados da mesma maneira.

Lucas também citou a falta de estrutura para lidar com o calor como outro agravante das altas temperaturas na Europa. Acostumados com o frio, a maioria das casas não possui ventiladores ou ar condicionado para lidarem com os altas temperaturas, o que realmente complica a sua situação durante o verão.

Falta de costume com o calor

Adriane Formigosa, bióloga Adriane Formigosa do Instituto Mapinguari também falou com o UOL, e explicou que a Amazônia fornece uma quantidade importante de umidade que impacta o clima do país inteiro, de certa forma ajudando a lidar com o calor, mas que nos biomas presentes na Europa isso não acontece.

Além disso, nesses países as pessoas estão acostumadas a pequenos períodos de calor extremo, e que realmente sofrem com a falta de umidade em seus corpos. A profissional explicou que a umidade tem importância fundamental para manter a troca de calor do nosso corpo com o ambiente, para que ele funcione de maneira saudável.

O biólogo Yuri Silva, mestre em biodiversidade tropical e diretor de projetos do Instituto Mapinguari acrescentou que as condições ambientais mudaram de forma rápida, e que atingiram uma realidade com a qual as pessoas não estão acostumadas.

Motivos do calor extremo na Europa

Grande parte dos cientistas que trabalham com clima concorda que as mudanças climáticas estão à frente dessa realidade. Uma estimativa realizada pelo Met Office divulgou que a probabilidade de haver altas temperaturas na Europa aumentou em dez vezes em razão disso, resultando na formação de um sistema de alta pressão atmosférica sobre a Europa.

A Nature Geoscience publicou um estudo que mostra que a expansão do sistema de alta pressão sobre o Atlântico, nos Açores, está levando às condições mais quentes na Península Ibérica dos últimos mil anos.