Meditação

Por que começar a prática de yoga com o mantra om?

om

O OM é o mantra mais importante, pois nele estão contidos todos os outros mantras e todo o conhecimento do yoga. Sua presença na prática se trata, portanto, de uma conexão entre o que será feito com o corpo de conhecimento que lhe deu origem.



Todo conhecimento contido em potencial no OM se apresenta em níveis que vamos acessando à medida que trilhamos o caminho do autoconhecimento através das práticas, meditações, leituras, reflexões e aulas com professores versados e qualificados para transmitir a visão do OM.

Num primeiro momento, cantar o OM no início da prática pode ser encarado simplesmente como uma forma de conectar o uso das técnicas com o corpo de conhecimento que lhes deu origem e também como uma vibração que protege nossa mente de oscilações de pensamentos indevidos.

A palavra mantra significa “aquilo que protege a mente”. Além da mente ser disciplinada com o uso dos mantras, sobre o OM é dito que até mesmo sua freqüência sonora tem o efeito de aquietar a mente e serve como uma âncora inicial que lançamos sobre momento presente.


Esse caráter protetor se faz presente também do ponto de vista etimológico, essa sílaba única, OM, que vem dos Vedas é uma palavra sânscrita e significa avati raksati – aquilo que lhe protege, lhe abençoa. Então começamos a prática pedindo proteção e reconhecendo esse momento que iremos dedicar a nós mesmos como uma bênção.

O OM é um símbolo ousado. Enquanto, por exemplo, a bandeira do Brasil representa um vasto território na América do Sul e toda uma história e cultura, o OM representa todo o Universo, todos os objetos, dos mais densos aos mais sutis, todas as leis e princípios que regem a interação entre eles, o passado, o presente e o futuro, você, eu, seja acordado, dormindo ou sonhando e também designa a própria causa da manifestação.

Om iti idam sarvam yat bhútam yat ca bhavyam bhavisyat iti | O que existia antes, o que existirá depois e o que existe agora. Tudo isso, sarvam, é realmente Om.

Até mesmo do ponto de vista fonético, esse símbolo inclui todas as palavras de todas as línguas. Ele é formado pelas palavras A, U e M. O primeiro som que fazemos ao simplesmente abrir a boca é A e ao fechar M, o U representa todos os fonemas possíveis entre o A e o M. Dessa forma, ele abarca simbolicamente todos os vocábulos.


Podemos dizer que ele aponta para uma visão de Unidade, União ou Integração. Essa visão costuma ser obscurecida pela noção frágil que temos a respeito de nós que cria uma necessidade constante de auto-afirmação que se manifesta de inúmeras formas, entre as quais, num olhar que busca sempre as diferenças.

Tem um trecho de uma obra literária que muito aprecio que nos instiga a uma reflexão interessante que vem a calhar:

“O que é que uma pessoa é, assim por detrás dos buracos dos ouvidos e dos olhos?” Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa.


O jñana mudra, gesto do conhecimento, quando o dedo indicador e o polegar se tocam representa a noção de eu da perspectiva dessa visão apontada pelo OM. O indicador representa a “noção de eu” encapsulada, frágil, nessa mudra, ele se curva diante do polegar que simboliza o OM. Note que o indicador, o ego, não é arrancado da mão, segundo o yoga o ego não tem que ser destruído, apenas deve ser compreendido a partir de uma base de conhecimento.

Além do OM, outros mantras podem ser cantados tanto no início quanto no final de acordo com a proposta da aula e de acordo com a linha de formação do professor.

No entanto, criar condições para aprofundarmos o entendimento sobre o OM é uma das propostas centrais da prática do Yoga, podemos dizer, inclusive que tendo o OM como objetivo que as práticas e estilo de vida de yoga existem.

Sendo assim, sua presença no início das práticas é extremamente pertinente, pois nos coloca em contato com esse objetivo e dá um significado mais profundo para a realização das técnicas.


“Segure o arco da tradição de conhecimento, coloque nele a flecha da devoção; tensione a corda da meditação e acerte o alvo, o Ser. O mantra OM é o arco, o aspirante a flecha, o Ser o objetivo. Estique agora a corda da meditação, e atingindo o alvo, seja uno com ele.”

Mundaka Upanishad, II:12

OM
Por Gilberto Schulz


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