Por que dar um colo é bom, mas receber, é melhor ainda!

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Faz algum tempo que aprendi que cada um de nós tem o direito de dar e receber: carinho, afeto, presentes, ouvidos, o tempo… enfim, tanta coisa para listar, um infinito de possibilidades…

Tenho o hábito de ensinar isso para quem posso.  Afinal, assim, as relações  (amigos, emprego, afetivas..) crescem, têm vida, têm sentido, têm sabor.



Acredito também que as coisas precisam ser coerentes, afinal, falar e não fazer é meio sem sentido. No entanto, humanos que somos, volta e meia precisamos errar, para aprender um pouco mais, para voltar ao centramento.

O importante nesse processo é: procurar crescer, reconhecer a humanidade, reconhecer o erro, e buscar ser melhor a cada dia. Um ser humano, mais humano no sentido literal da palavra. Um humano coerente. Um ser humano que também erra e tem suas fraquezas.

Então, em uma conversa  – uma daquelas que fazia tempo que eu não tinha, aquelas conversas em que a gente fala o que sente e por fim, quando se dá conta, já permitiu mostrar ao outro um lado que você tanto protege, afinal, para que mostrar esse lado não tão legal?


Mas  o outro questionou de tal forma que quebrou algumas barreiras e o levou  a uma autoavaliação – Conversas raras, conversas que faltam nos dias de hoje, conversas que nos fazem crescer!

Dei-me conta que, por vezes, em minha vida, eu me doava tanto, que além de tirar meu direito nato de receber, eu tirava do outro o direito que ele tem para dar, para me oferecer algo.

E, sim, este é um ato de egoísmo, contra mim e contra o outro.

Privei-me de algo nato – receber –  e tirei do outro uma possibilidade extraordinária – dar. 


Além disso, percebi também que, às vezes, dar demais, faz com que o outro se afaste. Afinal de contas, se a pessoa tem tanto para dar, ela não precisa receber, e se não precisa receber, o que eu posso fazer na vida dela?

Queremos e precisamos ser uteis uns na vida dos outros.

Todo tipo de relacionamento precisa ser uma via de duas mãos em equilíbrio.

Se não fosse assim, que sentido faria a vida?

Compreendi então que ser empata é uma delícia, mas também tem suas dores e, se você não aprender a ser um empata em equilíbrio, você se torna alguém inalcançável, um ser solitário.

É como se você passasse a sensação de ser uma fortaleza e,de tão grandiosa, as pessoas não sabem como alcançar, como transpor.

Quantas vezes reclamamos que eu ajudei tanto a pessoa, mas na hora que precisei, ela disse apenas; Ah mas você vai superar, afinal foi você quem me ajudou!

Então, eu me dei conta que, de certa forma, nós também somos responsáveis por isso, afinal sempre estamos ali, sempre ouvindo, sempre ajudando, que passamos a sensação de que nada nos abala.

E  aí as pessoas simplesmente não sabem como agir quando batemos à porta delas pedindo gentilmente seu colo e seus ouvidos.

Elas acham que aquilo é tão simples que jamais poderia ajudar e, então, por vezes, até por medo de não saber como agir conosco, por medo de não conseguir retribuir, elas se afastam.

Como elas vão saber que somos tão humanos quanto elas , que também choramos, temos medos, angustias, se nunca falarmos a elas?

É claro que não dá para espalhar tudo aos quatro cantos, mas algumas pessoas podem e merecem nos conhecer em nossa mais pura essência. E quando falo em essência, falo da pessoa, por trás dos diplomas, profissões, títulos… Apenas um ser humano comum com qualidades e limitações, forças e fraquezas.

Ah, se elas soubessem que a unica coisa que precisamos na maioria das vezes que um problema, um medo, uma angustia bate a nossa porta,  é ter a certeza de que elas estão ao nosso lado, que elas jamais iriam embora. Um par de ouvidos, um colo e a presença são mais que suficientes.

Como é bom ouvir: Deixa eu cuidar de você agora!

E então, eu me dou conta de que eu posso, sim, e vou ajudar muitas pessoas, mas eu também preciso ser cuidada, afinal de contas, se eu cuidar do mundo quem é que vai cuidar de mim?

Que possamos aprender a ser fortes, resilientes, decididos, sim, mas que não percamos a leveza da vida, a grandiosidade de ser cuidado, a beleza das pequenas coisas que nos fazem.

Por que dar um colo é bom, mas receber, é melhor ainda!

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Direitos autorais da imagem de capa:  ammentorp / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 10/09/2017 às 11:15






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