Por que dizer não quando se quer dizer sim?

4min. de leitura

A história é a seguinte:



CENA I:

Uma mulher brasileira vai visitar uma amiga inglesa e durante a visita, a anfitriã oferece-lhe uma torta de chocolate que parece deliciosa.

A brasileira começa a salivar na hora – está morrendo de vontade de comer um pedaço da torta – porém responde:

-Não obrigada! (“Por educação.”)


Diante disso a inglesa guarda a torta e fim.


CENA II:

A mesma mulher brasileira vai visitar uma amiga inglesa e durante a visita, a anfitriã oferece-lhe um pouco de doce de cidra.

A brasileira se arrepia na hora, pois não suporta o tal doce – porém responde:


-Vou aceitar só um pouquinho! (“Por educação.”)

Diante disso a inglesa costuma oferecer doce de cidra á amiga brasileira toda vez que ela vai a sua casa.


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Quantas vezes já agimos assim?

Quantas vezes sua mãe já lhe falou para não comer demais na casa dos outros e para não aceitar tudo e para não ser “esganado”? E por outro lado, quantas vezes ela já te falou para não fazer desfeita e aceitar um pouco do que lhe dão mesmo sem gostar?

E foi assim que nós latinos, um povo pouco assertivo e sempre preocupado com o que vão dizer e pensar sobre nós, acabamos dizendo SIM quando queremos dizer NÂO e vice-versa. Queremos agradar, ser aceitos e nesta confusão toda passamos mensagens completamente erradas sobre nós mesmos e sobre o que queremos e gostamos.

Sempre conto essa história às pessoas que gosto, porque muitas vezes acabamos sendo vítimas deste nosso erro.

Não é feio dizer a verdade, dizer o que gosta e o que não gosta. Isso se chama assertividade. Ser assertivo não é ser agressivo, é ser sincero, sem magoar o outro.

Ninguém é obrigado a comer doce de cidra sem gostar só para agradar ao outro; e nem de negar-se ao deleite de uma deliciosa torta de chocolate quando lhe é oferecida, só porque lhe ensinaram uma baboseira qualquer sobre “bons modos”.

O grande risco de não dizer sim quando se quer é que um dia você acorda e se vê um adulto que aceita muito mais as coisas ruins do que as coisas boas da vida, sempre com aquela desculpa bem conhecida de que “é bom demais para ser verdade.”

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Os latinos, talvez por alguma influência histórica, aceitam a desgraça como parte da vida, como castigo, e muitas vezes não se acham dignos das coisas boas.

Quer outro exemplo? Somos treinados para aceitar críticas e desconfiar dos elogios que nos fazem.

Experimente fazer um elogio a alguém.

-Nossa, mas seu cabelo está lindo!

E vem a resposta:

-Ah, imagina, está tão sem corte. Ah, nem lavei hoje.

Por outro lado, experimente uma crítica:

-Poxa, seu cabelo não está legal!

E vai ouvir:

-Ah, você viu, não está mesmo né? Nossa, eu preciso cortar, mudar a cor.

O elogio não é aceito e muitas vezes desconfiamos dele, enquanto que a crítica acaba com nosso dia e talvez com a nossa vida.

 

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