4min. de leitura

POR QUE MENTIMOS?

Mentimos porque resulta! Entre todas as respostas com que tropecei até aos dias de hoje, e foram milhares, esta pareceu-me a mais completa. Mas, perguntarão alguns, se muitos escreveram já tratados sobre o assunto, será isso suficiente? É o que vamos descobrir.


Todos nós já mentimos e sofremos com a mentira. A razão pela qual o fazemos mais frequentemente na atualidade poderá revelar uma realidade mais desoladora do que pensamos.  Mentimos porque perdemos a coragem de vivenciar a verdade.  Pois é…

Por que se tornou tão fácil faltar à verdade? Esta é uma questão que me persegue desde sempre. Existe um mecanismo que sustenta a mentira? E, outro – diferente – para suportar a verdade?

Eis-nos, pois, chegados ao momento mais baixo do que é ser humano. O racionalismo em que nos especializamos, este vício de pensar, traz-nos o medo e a falsa ilusão de controlo dos nossos próprios pensamentos. Ainda, a sensação de podermos conhecer os pensamentos dos outros. Tudo isso é falso!


Ao contrário do que possamos imaginar, como passamos a viver na lógica do pensamento restrito abandonamos a bondade, a gentileza, a brandura, a compaixão, como imperativos espirituais, imaginando-os, agora, unicamente na dimensão moral ou legal. Por exemplo, a delicadeza como imperativo moral está na base de um mundo desonesto, pois a obrigação moral de sermos gentis nos poderá tornar falsos. E, fortemente por causa disto, deixamos de ser honestos na construção da verdade.

Do mesmo modo que não se pode educar para a cidadania, pode-se educar na cidadania, não podemos educar para a verdade. Educa-se na verdade. É aqui que as famílias, as escolas, as comunidades,.., terão de investir. Nos valores e nos sentimentos.

Mentimos porque  pensamos muito , mas reparamos  pouco… Pensar em vez de reparar é interpretar em vez de – simplesmente – observar. Viver as nossas projeções, evitando a experiência em si. E, por isso não vemos as coisas como elas são, apenas nos baseamos em informações passadas e expectativas futuras. Deixamos de viver a experiência presente.


Assim sendo apetece perguntar. Quando foi a última vez que olhou nos olhos de alguém? Quando fez o seu último jejum de palavras? Aqui reside o primeiro passo para a mudança das relações humanas. Reparar mais é isso mesmo…

Alberto Caeiro[1] acreditava “ no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele. Porque pensar é não compreender … O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos). Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…”. Pensar remete-nos para a experiência consciente, mas isso é uma ínfima parte da nossa existência. Ao insistirmos em viver aqui – exclusivamente – damos espaço ao maior de todos os embustes. Porque pensamos muito e reparamos pouco, por isso mentimos, muito…

[1] Heterónimo de Fernando Pessoa.





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.