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Por que o primeiro ano de luto é o mais difícil?

Um dos motivos que torna o primeiro ano do luto o mais difícil é, sem dúvida, passar pelas datas significativas sem aquela pessoa amada e importante.

Será o primeiro Natal e Ano Novo sem a presença física deste ser especial, o primeiro dia das Mães, o primeiro aniversário (seu e do seu ente querido), o primeiro feriado, as primeiras férias, etc. Costumo dizer que no primeiro ano (e talvez, mesmo algum tempo depois), tanto faz ser dia útil ou final de semana, todos os dias são sem graça e preto/ branco. Mas essas épocas de confraternização são demasiadamente custosas. Por isso, é importante preparar-se para esses momentos e planejar formas de vivenciá-los. Fingir que essas datas não existem é impossível; definitivamente, não é uma opção. Assim, um dos recursos que recomendo é a elaboração de rituais.



Os rituais fazem parte da história da humanidade desde sempre e não estão necessariamente ligados à prática religiosa. No processo de elaboração do luto, eles servem para nos conectar com a pessoa que partiu fisicamente, mas encontra-se mais presente do que nunca em nosso coração e pensamento.

Ouvir uma música, assistir a um filme, visitar um lugar específico, reunir determinados amigos, cozinhar ou simplesmente saborear um determinado prato, escrever um post/ texto, levar uma flor à praia e pensar naquela pessoa especial para você, talvez rezar por/com ela. São algumas sugestões de como se pode viver um momento exclusivo “com” quem você ama. Não precisa ser nada muito sofisticado, ou pode até ser, como queira.

Soube de uma senhora que não tinha religião e nem fé, mas fazia questão de vestir-se com um traje amarelo no aniversário de sua falecida mãe, porque era sua cor preferida.

Essa foi uma medida relevante que utilizei no meu primeiro ano de luto pela morte do meu filho Gabriel (16) e que fez parte do processo de transformação pelo qual passou a nossa relação. Alguns rituais foram realizados em família, como o meu primeiro Dia das Mães ‘sem’ ele; outros aconteceram somente entre nós dois, no mais íntimo espaço do meu coração. Mas todos me trouxeram a sensação de plenitude, uma vez que não precisei ignorar a participação do meu filho em dias especiais da minha vida.


Como bem disse a Dra. Ana Cláudia Quintana: “A pessoa que morre não leva consigo a história de vida que compartilhou com aqueles que conviveram com ela”. Para quem aqui fica, é válido construir um legado de memórias, que foram desfrutadas com amor; afinal, essas lembranças podem ser a sua herança mais valiosa.

Uma das lições mais lindas que meu filho me ensinou foi a transcendência do amor, através daquele vínculo que não está mais aqui, mas ainda está. Sempre estará.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / dolgachov


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