CrônicasFelicidadeVida

Por que o que interessa, quase sempre, não é onde estamos, mas com quem estamos…

as melhores coisas da vida

O eterno clichê “dinheiro não traz felicidade” nunca fez muito sentido para mim, confesso. O dinheiro que compra viagens memoráveis, o dinheiro sem o qual não dá pra pagar as próprias contas pra ganhar independência, o dinheiro que pode comprar um sorvete na esquina ou levar a gente a conhecer o mundo inteiro.

Seria uma inegável hipocrisia dizer que dá pra ser feliz e realizado estando duro em tempo integral. Sorrindo no sábado à noite em casa, mesmo que esteja rolando um show excepcional que você não pode ir por que não tem grana. Comendo pão com ovo satisfeito, mesmo com vontade de jantar no japonês. Dormir tranquilo com as contas atrasadas, passar as férias vendo sessão da tarde e não poder alimentar os ímpetos capitalistas nem mesmo de vez em quando, por que dinheiro não traz felicidade.

Bem verdade que muitos reduzem suas vidas a uma busca material incompreensível que os transformam em caçadores de recompensas em tempo integral. Vivendo cada dia em busca de um salário de cinco dígitos, perdem as risadas de suas crianças, a beleza de suas manhãs, a ternura de seus beijos.

Embora o dinheiro seja, de fato, muito mais do que necessário, convenço-me mais a cada dia que as melhores coisas da vida não são coisas.

Já vivi dias incríveis com muito pouco: um filme, uma pipoca, um amor pra dividir; Uma comida simples, um domingo ocioso, uma família imensa e imperfeita; um violão, amigos do peito e cerveja pra acompanhar. Em nenhum destes dias inesquecíveis precisei de um anel de diamantes ou um Iphone 5.

A maior mentira que já nos contaram é que precisamos de dinheiro para viver momentos memoráveis. Por que as melhores coisas da vida, verdadeiramente, custam pouco ou nada: dormir de conchinha, passear de bicicleta, ver o sorriso de uma criança, apreciar a vista, encontrar os amigos. Pequenos prazeres que só vive quem sabe viver.

Por que o que interessa, quase sempre, não é onde estamos, mas com quem estamos. Nunca é o que fazemos, mas o que sentimos ao fazer. O melhor da vida, na verdade, é abstrato. São sensações. Os objetos servem só de enfeite ou de complemento.

Feliz de quem sabe que a felicidade não é tarifada. Que é melhor beber cidra com quem amamos do que cerveja importada sozinho. E que a felicidade precisa de muito pouco pra quem sabe desfrutá-la: Família, bons amigos, autoconfiança e amor em doses homeopáticas.

Por: Nathalie Macedo – Via: Casal Sem Vergonha

0 %