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Por que os homens perdem ao negociar com as mulheres?

Trata-se de  uma afirmação que colhe, normalmente, um grande coro de gargalhadas, isto especialmente quando estou perante uma plateia maioritariamente masculina. Nestes casos não começo por explicar que a mulher é mais apetrechada intuitivamente, animicamente mais consistente, etc. Pelo contrário, em tom grave e sério, explico que existe uma única boa razão para isso ser verdade. Se há  arranjo para o mundo ele está do lado das mulheres porque os homens já tentaram e veja-se o resultado…



Liderar pelo feminino…

Desde o início dos tempos a lua foi entendida como o lado visível do sagrado feminino. Daqui surge o termo Liderança Lunar. Mas, o que é que isso quer dizer quando pretendemos negociar com uma mulher? Como é que ela lida, em geral, com a informação de apoio à decisão? Então…

negociar


Imaginemos que hoje à noite vamos todos a uma festa na discoteca da moda.  Se, no outro dia de manhã estivermos novamente reunidos à volta da mesa do café e o tema de conversa for a festa, questionados sobre o assunto a maioria dos homens limitar-se-á a ser avaro em palavras. Elas, pelo contrário, passarão as próximas horas a falar sobre como a festa foi.

Agora, voltemos à noite passada na discoteca. As mulheres entraram, repararam em tudo, em todos os detalhes do espaço, em todas as pessoas, no espírito da festa, etc. Até foram ao w.c. em grupo, continuando a conversar animadamente. Vivenciando todos os pormenores, trocando informação: atualizando-se! Os homens estiveram focados em dois ou três pormenores que facilmente poderemos identificar…

Conclusão, em média, a mulher quando toma uma decisão tem mais informação ao seu dispor que o homem. Pois é… afinal toda aquela conversa não foi tempo perdido para as mulheres. São redes de informação, são redes de relações que se estão a afirmar.

A mulher pensa em rede,…


Pensar em rede é um processo que se desenrola através de sucessivos degraus. Assim, ao contrário do homem, que se concentra em menos informação, a mulher presta atenção “ao todo que é tudo”. Jogando, igualmente, com todos os seus sentimentos e intuições. Certo é que a mulher recolhe mais informação, integra os detalhes com maior rapidez, lida com padrões mais complexos, pelo que quando toma decisões ela considera mais opções, fundando-se numa reflexão mais flexível e cooperativa. Surpreendidos? !?

Mais, a contribuição das mulheres para uma negociação (não hierárquica) é mais variada, menos convencional, apresentando uma habilidade excecional para vivenciar a atual era da complexidade.

A uma  postura empática, tradicionalmente feminina, onde todos poderão ganhar na relação (winwin), o homem responde frequentemente com uma liderança do tipo win or loose (ganha ou perde).

Margaret Thatcher, a Dama de Ferro, ficou conhecida por liderar pelo masculino.  De  igual  modo, o lado feminino da liderança não é uma condição exclusiva das mulheres, mas sim uma predisposição de homens e de mulheres para viver a liderança pela emoção, pela inclusão, pela escuta mágica e pelo diálogo. Este posicionamento andrógino é um potencial fantástico quando pensamos nas relações, i.e. quando queremos aumentar  a  confiança, a proximidade, a segurança, a transparência,… Por que não aproveitar tudo isto  quando pensamos nas organizações, nas comunidades, nas famílias, na política?!?


porque

Mas, ao contrário do que se possa imaginar a mulher não nasce mulher. Faz-se mulher… Por isso ela trás  para a liderança uma visão mais esforçada  do mundo. Assumindo a responsabilidade de quem sabe sempre esperar, a mulher celebra com  profunda ternura  a sua participação numa sociedade que teima em ignorar que ela é, afinal, o ouro da vida.

Paulo Vieira de Castro


A gente se cansa de ser usado!

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