Por que reprimimos alguns sentimentos?

Por que reprimimos alguns sentimentos, algumas emoções?

Em algum momento de sua vida, seja por um acontecimento ou outro motivo, vimos ou ouvimos de alguém alguma coisa negativa, e passamos a acreditar que aquela emoção ou sentimento é ruim.

Vou citar alguns exemplos comuns, que podem também ter feito parte de sua infância:

“Que feio, você está com raiva”;

“Engole esse choro menina”

“Deixe de ser preguiçosa

Poderia citar tantos outros aqui… Você já ouviu algo assim?!

Quando uma criança ouve isso de alguém, a primeira reação é reprimir os sentimentos. O que você menos queria é ser feia, chorona ou preguiçosa, não é mesmo?

Claro que hoje com sua maturidade e experiências de vida, frases como essas não mexem tanto com suas emoções. Contudo, quando crianças, temos em nós o receio de não ser aceito, e entendemos ainda que para ser aceito devemos ser mais bonzinhos, não podemos chorar, e se for preguiçoso então você está perdido.

Passamos nossa vida inteira acreditando que certas emoções são positivas ou negativas. Se positivas, “Ok, estou aceito”, se negativas, “Preciso mudar”. Quando temos algo que já julgamos negativo, não conseguimos ver seu lado bom. Ocorre que qualquer emoção, sentimento, característica ou talento, mesmo que achemos o contrário, tem uma intenção positiva por de trás.

Como assim?!

Vamos pegar o exemplo da frase “Deixe de ser preguiçosa”:

Vou compartilhar com você o meu próprio exemplo:

Minha mãe costumava falar algumas coisas sobre a preguiça:

“É importante acordar cedo, ir à luta”

“A preguiça não é de Deus”

“Se continuar aí você não será ninguém”

… E por aí vai. Todas essas frases até hoje sopram em meu ouvido, e por isso nasceu em mim uma pessoa mais ativa, disposta a realizar meus objetivos, uma pessoa que faz e acontece. Claro que busco moderar essas frases dentro de mim, pois normalmente elas viriam acompanhadas da culpa de ser preguiçosa. Junto dessa culpa, viriam também a cobrança, a angústia e o medo. Essas frases precisam me impulsionar a trazer resultados positivos na minha vida, e não me deixar ainda mais chateada e com a autoestima lá em baixo.

Ok, mas qual a intenção positiva?!

Pergunto a você: é ruim ser preguiçoso? O que de pior pode acontecer se eu for preguiçoso?

E se eu acordar indisposto, com dores no corpo meio gripado, será que não poderia ficar um pouco mais na cama e cuidar de mim?

Ou de repente aquele dia em que cheguei tão cansada de um dia intenso, decidir ficar ociosa por alguns minutos jogado num canto do sofá?

Existe um tempo para cada coisa, e quando isso fica claro para você as coisas tornam-se mais leves e, principalmente, com menor carga de cobranças.

Tudo na vida é equilíbrio!

Quantas vezes eu acreditei que para ser bonzinho eu precisava deixar minhas vontades de lado, ser mais resiliente, aceitar tudo o tempo todo, paciente, compassiva, não ser agressiva. Existirão momentos em que você precisa de tudo isso, precisa se posicionar e colocar suas vontades, precisar ser mais assertivo. Se você está sofrendo ou vendo alguma injustiça, passando por um relacionamento abusivo ou algo parecido, é imprescindível que você se posicione, mesmo que precise perder um pouco de sua paciência ou falar um pouco mais alto.

Se você está se comportando de forma mais ativa só para não ser chamado de preguiçoso, ou mais agressiva só para não ser “mole” ou “mosca morta”, você não está exercendo plenamente o seu livre arbítrio, mas sim agindo pelo que os outros acham ou pensam. Você não escolhe, é binário: “só sou ativa porque não posso ser preguiçosa, pois lá atrás me disseram que é feio”.

Agora quando você aceita esse sentimento, essa emoção, você está preparado para a cura, e principalmente para o exercício do livre arbítrio. LEMBRE-SE SEMPRE: sua vida é inteira feita de escolhas, e você colhe os resultados dessas escolhas. Você pode escolher que caminho seguir. “Eu escolho ser mais ativa, eu escolho persistir, eu escolho me posicionar, eu escolho falar sobre o que sinto”.

Se eu estou reprimindo algo que não quero ser, que não quero aceitar que sou, não estou usando meu livre arbítrio. E o que acontece?

Você estoura e é agressivo em um momento que não precisava de tamanha agressividade, num momento em que não está acontecendo nenhuma injustiça, ou com seu filho que derramou leite no chão, por exemplo.

O primeiro passo para a transformação é aceitar esse sentimento, essa emoção. Ela é sua, e tudo que você negar também é seu. Você espelha no outro aquilo que você é, sua sombra seu medo sua angústia.

Então aceite e olhe para cada um deles e comece a se perguntar: O que ser esse sentimento ou emoção ajudou a me transformar na pessoa que sou hoje? Quais os benefícios que essa atitude pode me trazer? O que ser isso traz de bom em minha vida?

Estes são pontos importantes e transformadores para você descobrir quem você realmente é, aceitar quem você é, e usar da melhor forma possível cada mecanismo de sobrevivência seu.

Agradeça por cada uma dessas coisas, porque elas fazem parte de você. Elas podem trazer diversos benefícios desde que você compreenda como pode usar cada uma delas. Compreenda também que existe um tempo certo para cada coisa. Olhe para cada uma delas, acolha, aceite que você é ao invés de resistir e rejeitar, e abrace ser assim na hora certa em que tem que ser assim.

Esse é um caminho de cura e autoconhecimento, e você tem todo o poder de transformar sua vida, e ser quem você realmente veio ser. Essencialmente você.

Com amor,

Queli



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