Por um mundo com menos carências afetivas disfarçadas de fotos e declarações vazias nas redes sociais



A vida não é uma competição sem fim, as redes sociais não são vitrines, as pessoas não deveriam se importar tanto em aparentar perfeição.

Em tempos como esses, em que as redes sociais têm tanta presença na vida das pessoas, é fácil enganar o outro fingindo ser o que nunca se foi. É uma vida de “faz de conta” perfeitamente remendada com pitadas da vida real.

Tudo parece maravilhoso e os insatisfeitos de plantão conseguem fingir para si mesmos que são felizes. Assim, ao invés de tornar a realidade melhor, eles camuflam a infelicidade com incontáveis doses de exibição. No fim, as postagens não passam de uma espécie de show, em busca do que todo espetáculo quer: plateia e aplausos.

Em alguns casos, é quase impossível não perceber a busca incessante pela aprovação do outro, a loucura de se desenhar como queria ser no espelho para não ter que olhar para a própria imagem refletida. Parece um teatro no qual já não se separa o ator do personagem.

Por um mundo com menos carências afetivas disfarçadas de fotos e declarações vazias nas redes sociais.

Por um mundo com menos pessoas emocionalmente doloridas, que se magoam e se vitimizam por tudo que seja contrário ao que elas esperam dos outros (e elas não esperam pouco de ninguém).

Por um mundo onde as pessoas parem de usar fotos banais na tentativa de atingir o outro. Afinal, quem é feliz de verdade, e vive cercado de cercado de amor, não precisa tirar foto a cada vez que sair de casa, nem faz questão de fazer check-in a cada vez que pisa num lugar diferente, em busca de admiração.

Eu sempre me pergunto se essas pessoas percebem que não vivem para si mesmas, se percebem que a suposta felicidade delas nunca será verdadeira, enquanto elas estiverem mais preocupadas em se mostrarem felizes do que em serem felizes de fato.



A vida não é uma competição sem fim, as redes sociais não são vitrines, as pessoas não deveriam se importar tanto em aparentar perfeição.

Porque pior do que estar sempre focado no “ter”, ao invés do “ser”, é tentar se enganar com o “parecer” ao invés do “ser”.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF/undrey






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