publicidade

Porque o amor-próprio significa nunca ter que dizer “você me completa”

“Você pode pesquisar em todo o universo por alguém que seja mais merecedor de seu amor e afeição do que você mesmo, mas essa pessoa não será encontrada em nenhum lugar. Você mesmo, tanto quanto qualquer um no universo inteiro, merece seu amor e afeição. ”- Buda 



Um tópico popular em todas as revistas,  aprender a “amar a si mesmo”, sempre me pareceu um passatempo de um mundo autoindulgente.

Parecia óbvio que o mantra comumente repetido, “amar-se em primeiro lugar”, era apenas um sinal dos tempos, em um mundo onde algo como “mais da metade de todos os casamentos” terminam em divórcio. Quando eu cavava um pouco mais no assunto, muitas vezes encontrava uma lista de novos tratamentos de spa ou uma ladainha de slogans da nova era.

Tudo não fazia o mínimo sentido para mim – até que uma série de relacionamentos fracassados me ensinou, da maneira mais difícil, porque você precisa amar a si mesmo em primeiro lugar

Eu sempre entrava em relacionamentos vendo-os como algo que eu precisava ou queria. Eu queria me sentir valorizada e amada. Eu precisava sentir que minhas lutas tinham significado e busquei por isso em uma validação externa. Eu ansiava por alguém que ficasse ao meu lado e me dissesse que eu valia a pena.


Na minha vida extremamente agitada e em ritmo acelerado, eu estava rodeada de pessoas solitárias, famintas por conexões significativas, em um mundo de relacionamentos transacionais. Sempre durona, eu buscava um espaço seguro onde eu pudesse baixar minha guarda e ser carinhosa. Um relacionamento se tornou minha maneira de conseguir o que eu achava que precisava.

Durante mais de uma década da minha vida, isto não correu bem e, certamente, não terminou bem. Terminou comigo no chão do meu quarto, cheia de pensamentos depressivos. Mas, depois que me levantei, essa e muitas outras verdades se revelaram para mim.

Uma necessidade surge de algo que achamos que falta em nós mesmos. Precisamos de alguém para nos dizer que somos importantes porque não nos sentimos dignos.


Nós nos sentimos sozinhos porque nossas vidas não estão preenchidas e estamos esperando que alguém mais faça isso por nós.  Nós desejamos tanto aquelas palavras carinhosas e tranquilizadoras vindas de alguém com quem nos importamos, porque não nos sentimos bonitos, inteligentes – ou o que quer que seja – o suficiente. Se ele ou ela é um bom companheiro, nossa necessidade é saciada.

É por isso que “você me completa” tornou-se uma forma de expressar o poder do amor. Infelizmente, esse tipo de pensamento nos leva a lugares perigosos. 

Não estamos “completos”, para começar, por causa das coisas que sentimos que nos faltam, ou a inadequação do nosso ser.

Tornamo-nos tão atraentes, acomodados ou desejáveis quanto possível para encobrir essas falhas e “enganar” um parceiro qualificado, para que possamos ignorar nossas deficiências. Eventualmente, nós ganhamos, e então o prêmio é nosso. E ambos vivem felizes para sempre. Exceto que raramente isso acontece porque esse vazio sempre precisa ser preenchido.

Nós nos contamos a história de nossas vidas e nos convencemos da curta (ou longa) lista de coisas que nosso parceiro pode nos dar e que nos fará finalmente felizes. Mas, de alguma forma, nunca é o suficiente, e quando conseguimos, queremos mais, ou queremos algo totalmente diferente. Nossa lista de demandas parece só aumentar com o tempo.

E talvez até nos tornemos ressentidos. Afinal de contas, precisamos manter nosso parceiro “enganado” para continuar a enxergar além das nossas inadequações.

Nós fazemos tanto esforço para nos tornarmos atraentes, e é muito difícil manter essa máscara, para que o outro não enxergue a verdade e não nos veja como realmente somos. Tudo requer muito cuidado, e assim começamos a pensar “é culpa dele que eu esteja me sentindo assim”.

É para esse lugar que entrar em um relacionamento a partir de um lugar de inadequação nos traz. Mas, quando nos aceitamos pelo que somos, quando reconhecemos nossas falhas, mas não duvidamos do nosso valor, não buscamos ser inteiros através de outra pessoa.

Ainda é totalmente natural e saudável ter um conjunto de características desejáveis, quando procuramos alguém. É bom reconhecermos limites do que é ou não um comportamento aceitável, mas isso é uma questão de escolha, não de necessidade. 

Quando entramos em um relacionamento a partir de um lugar de dignidade e autoaceitação, não responsabilizamos nosso parceiro por nossos defeitos ou esperamos que ele nos conserte. Podemos nos concentrar na felicidade – aquela que vem de dentro – em vez de esperar que outra pessoa a forneça externamente.

Afinal, quando esperamos que nosso parceiro nos forneça coisas para nos fazer feliz, grosseiramente, ele ou ela se torna nosso revendedor. Embora, é claro, seja um pouco mais complicado emocionalmente do que isso, estamos, de certo modo, usando a outra pessoa para cumprir nossos próprios objetivos e adivinha? Ele ou ela, provavelmente, estão fazendo o mesmo conosco.

E o que significa aceitar-se totalmente? O que é dizer: “talvez eu deixe meu ciúme tirar o melhor de mim, às vezes, mas meu coração está no lugar certo, e eu não preciso de ninguém para provar isso para mim”?

Como alguém pode dizer: “Sou responsável pela minha própria felicidade e quero muito compartilhar isso com outra pessoa”? Isso é amar a si mesmo em primeiro lugar, e esse amor tem que se originar de um profundo lugar de merecimento.

O amor são muitas coisas, mas uma delas é aceitação total sem barreiras. Se não podemos nos sentir assim em relação a nós mesmos, como poderemos nos sentir assim em relação a outra pessoa? O que não aceitamos em nós mesmos, não revelamos a outra pessoa. 

O amor também é a forma de conexão mais evoluída e primitiva, e conexão é o que dá sentido à vida das pessoas. Isso leva à falsa suposição de que precisamos receber amor de outras pessoas para nos sentirmos inteiros.

Na verdade, o inverso é que se faz verdadeiro. Quando nos sentimos inteiros, somos capazes de amar as outras pessoas e é assim que nos conectamos.

Isso levou muitos anos de mágoa para eu descobrir. Quando olhei para todos os meus relacionamentos fracassados, embora eu ainda me sentisse justificada em algumas das queixas que tinha, assumi a responsabilidade pelo fato de que nunca teria como funcionar, enquanto eu buscasse pela validação de outra pessoa.

Seria bom e legal para mim dizer que agora, possuidora desse entendimento, que encontrei a pessoa certa e estou no meio do meu “felizes para sempre”. Isso está longe de ser o meu caso! Mas, o que eu posso dizer é que eu tive alguns relacionamentos, desde então, e apesar de que seus finais foram doloridos, eles não me destruÍram de maneira alguma ou quebraram o meu coração como antigamente.

Nunca mais duvidei de que eu fosse digna desse tipo de felicidade ou de ter esse tipo de limite imposto pelo autorrespeito. O processo de luto aconteceu, mas acabou, e eu permaneci quem eu era.

Amar a mim mesma em primeiro lugar é nunca ter que dizer “você me completa” de novo, porque eu sou completa do jeito que sou. É parar de ansiar por amor e me permitir ser amada. Longe de ser autoindulgente, é um sentimento que nos torna incrivelmente humildes. E é justamente este sentimento, o que o libertará. 


Direitos autorais da imagem de capa:  pixabay – StockSnap-894430

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.